Martin Alipaz/Efe
Martin Alipaz/Efe

Indígenas bolivianos se reúnem para continuar marcha contra estrada

Manifestantes retomarão passeata até La Paz para pedir a Evo Morales suspensão de obras

Efe

30 Setembro 2011 | 18h14

LA PAZ - Os indígenas bolivianos que participavam de uma marcha de protesto dispersada pela Polícia no domingo se reuniram novamente no povoado de Quiquibey nesta sexta-feira, 30, para retomar sua passeata em direção a La Paz. Os manifestantes exigirão do presidente Evo Morales a paralisação definitiva das obras da estrada que dividirá uma reserva natural em duas.

 

O presidente da Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB), Adolfo Chávez, disse que cerca de mil indígenas que ficaram amparados em vários povoados após a violenta repressão da passeata estão se reagrupando em Quiquibey, a mais de 200 quilômetros de La Paz, para continuar com sua caminhada em uma data ainda não definida.

 

Chávez falou por telefone do povoado amazônico de San Borja, onde ajudava a embarcar as duas últimas caminhonetes com indígenas, depois do transporte de centenas durante a madrugada. "É o início do reagrupamento, o reencontro dos três grupos que ficaram dispersos", disse Chávez.

 

O presidente da CIDOB afirmou que, após a reunião, os indígenas ainda esperarão por um tempo antes de voltar a marchar, porque um grupo de deputados deve encontrar com eles para dialogar. Os manifestantes anunciaram que não voltarão a conversar com os ministros de Morales depois da brutal repressão policial do domingo, que gerou uma onda de protestos em toda a Bolívia e a renúncia de dois ministros, um vice-ministro e outros funcionários.

 

Chávez disse que não é suficiente o anúncio de Morales de suspender temporariamente as obras da estrada no Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), porque as etnias do lugar querem uma lei garantindo que a estrada não será feita. O líder acrescentou que após uma avaliação da situação foi confirmado que não há vítimas mortais pelo violento ataque policial, que o próprio Morales qualificou de "imperdoável".

 

Morales e seus colaboradores defendem que alguns veículos da imprensa exageraram e distorceram a repressão policial do domingo.A ONU condenou "o uso excessivo e indiscriminado da força" contra a manifestação e associações da imprensa rejeitaram as acusações do presidente.

 

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