INDÍGENAS CÉTICOS COM CATOLICISMO

Evangélicos ganham força no Equador

LLAMAHUASI, EQUADOR , O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2015 | 02h01

Há 30 anos, Gustavo Negrete saiu com uma cruz na mão para encontrar João Paulo 2º com outros indígenas no Equador. Hoje, nem sequer espera o papa Francisco: é um pastor evangélico ressentido com a fé católica que antes abraçou.

O primeiro papa latino-americano passará por países - Equador, Bolívia e Paraguai - com populações indígenas historicamente excluídas. A elas, Francisco pretende levar uma mensagem de "ternura" para as vítimas do que chamou de "cultura do descarte".

Mas, nas últimas décadas, muitos nativos na América Latina abandonaram, desencantados, a fé que foi imposta a seus ancestrais durante a conquista espanhola. Negrete é um deles.

Ele tinha 16 anos quando levou uma cruz de madeira que foi abençoada pelo papa e a guardou por muito tempo. Mas, em seguida, Negrete a trocou por uma Bíblia protestante, que manteve em suas mãos enquanto conversava com a reportagem.

"Francisco hoje passa despercebido nas comunidades indígenas. Já não existe o mesmo conceito, como naquela época, de que viria um representante de Deus", afirmou.

Todo domingo, Negrete viaja em seu carro até Llamahuasi, uma comunidade do planalto andino a 80 km de Quito. Ali, é recebido em um templo evangélico modesto ao som de guitarras, teclados e trombones.

O indígena, que uma vez quis ser padre, agora é pastor de quatro templos da Igreja Príncipe da Paz, cuja maioria dos fiéis cresceu no catolicismo. Ele abandou a fé católica quando percebeu que não cessavam o "alcoolismo e os maus-tratos contra crianças e mulheres" no mundo indígena. Além disso, pesou em sua decisão o passado de seu pai que, trabalhador de uma fazenda, foi forçado a assumir o catolicismo.

"Por tudo isso, temos esse receio, esse distanciamento, ao saber que a Igreja Católica, mesmo que acreditemos em Deus, não nos considerava seres com alma", afirma. / AFP

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