Indígenas denunciam Plano Colômbia

Dirigentes de mais de 2 milhões de indígenas que vivem na área de influência do rio amazônico Putumayo lançaram nesta terça-feira, em Washington, um apelo à comunidde internacional: "Ajudem-nos! O Plano Colômbia está nos aniquilando!" Às vozes dos caciques das tribos emberá, inga, quéchua, cocama e kariña, da América do Sul, juntaram-se a dos povos kuna e emberá-wounaan do Panamá, país que também sofreu as conseqüências da violência colombiana em sua região fronteiriça de Darién. "Nossas crianças brincam de guerrilheiro e militar; nossos rios estão contaminados, e os peixes morrem envenenados; tivemos bebês com lábios leporinos; e até nossos cães e gatos estão nascendo com deformidades", disse Antonio Jacanamijov, coordenador-geral do Conselho de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica da Colômbia. O causador de todos os males: a fumigação aérea indiscriminada, com herbicidas, na região colombiana do rio Putumayo, orientada para a destruição das plantações de coca em uma superfície de mais de 40.000 hectares. O senador Francisco Rojas Birry, da etnia colombiana emberá - localizada no norte do país, perto do província panamenha de Darién - disse que a fumigação se intensificou nos últimos meses em razão da forte participação dos EUA no financiamento e administração do Plano Colômbia. O senador indicou que as autoridades colombianas vêm fumigando as plantações de coca desde 1978. Até 1985 haviam utilizado três tipos de desfolhantes, e a partir de 1986 começaram a usar uma substância química conhecida como glifosato que tem "efeitos devastadores" sobre o meio ambiente. O Plano Colômbia é uma iniciativa do presidente Andrés Pastrana para a promoção do desenvolviemnto social e a luta contra o tráfico de drogas. Os EUA se comprometeram a dar uma ajuda de US$ 1,7 bilhão para a execução do plano, que tem também um componente militar. "Este é um projeto do qual nem o Congresso nem as instituições colombianas participaram, menos ainda as comunidades indígenas", disse Rojas Birry. "É um projeto feito de costas para o povo colombiano, mas mesmo assim está sendo executado". Jacanamijov e Rojas Birry participaram de uma entrevista coletiva na Universidade George Washington, ao lado de Emperatriz Cahuache, dirigente cocama da Colômbia; José Poyo, indígena kariña coordenador-geral do Conselho Nacional Indígena Venezuelano (CONIVE), e Crisolo Isamará, dirigente emberá presidente do Congresso Geral Emberá-Wounaan do Panamá.Também havia sido anaunciada a participação de Antonio Vargas, dirigente quéchua da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), que acabou não vindo. Cahuache disse que os povos indígenas localizados na área de influência do Plano Colômbia - que abrange amplas regiões do Brasil, Peru, Equador e Venezuela - sofrem também as conseqüências da militarização que o plano provocou. "Queremos que nos respeitem, que respeitem a autonomia dos nossos territórios, que se garanta a vida dos povos indígenas e não nos envolvam no conflito armado da Colômbia", advertiu Cahuache. O panamenho Isamará disse que junto à fronteira colombiana há cerca de 108.000 habitantes do Panamá que estão sendo afetados pelos deslocamentos provocados pela violência e os efeitos da fumigação. Poyo, da Venezuela, disse que em seu país 198 povoados indígenas, com uma população de 120.000 pessoas, estão sofrendo os efeitos diretos do Plano Colômbia - para o qual, segundo Cahuache, "nós, da etnia indígena, somos o custo menor da guerra"."Para eles", acrescentou, "não importa o número de pessoas afetadas. Para nós, sim, e por isso estamos pedindo proteção, queremos a defesa de nossas vidas".

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