Indígenas fazem "levante nacional" no Equador

Milhares de indígenas se mobilizaram hoje na capital equatoriana, Quito, e em cidades do interior, no que qualificaram como um "levante nacional" contra as medidas econômicas do governo. Cerca de 200 camponeses indígenas invadiram a sede da Universidade Politécnica Salesiana, em um bairro próximo ao centro da capital, instalando-se no pátio central do edifício. Em seguida, aos poucos, grupos de dezenas de indígenas foram se infiltrando nas dependências da universidade, até seu número atingir 3 mil, e eles começarem a instalar ali suas tendas e fogareiros. O reitor da universidade, Eduardo Delgado, disse aos jornalistas que a invasão foi pacífica e que a direção havia decidido que as aulas prosseguirão enquanto eles ali permancerem sem provocar desordens. Ao mesmo tempo, outras centenas de camponeses indígenas mantinham bloqueados vários trechos da Rodovia Panamericana nas províncias de Imbabura, ao norte, e de Cotopaxi e Chimborazo, no centro do país, interrompendo o trânsito com pedras e troncos de árvores sobre o leito da estrada. O ministro do Governo, Juan Manrique, qualificou ontem a cúpula indígena como "uma minoria que pretende destruir a ordem constitucional", e que "carece de direitos que amparem sua aventureira posição subversiva". Hoje, porém, o líder indígena Pedro de la Cruz rechaçou as afirmações do ministro, esclarecendo que eles querem protestar contra o governo, mas não derrubá-lo. "O que queremos é que o governo mude sua política", afirmou.

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