REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Manifestantes invadem Assembleia Nacional do Equador aos gritos de 'Fora, Moreno'

Mais de 10 mil manifestantes pedem saída do presidente, que transferiu sede de governo para Guayaquil após dias de protestos e decretou toque de recolher

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 17h39
Atualizado 09 de outubro de 2019 | 11h01

QUITO - Manifestantes ligados à Conferência Nacional Indígena do Equador (Conaie) invadiram nesta terça-feira, 8, o prédio da Assembleia Nacional em Quito, horas depois de o presidente Lenín Moreno transferir a sede do governo para Guayaquil, no litoral, em razão do caos instaurado na capital.

Os indígenas, uma das principais forças políticas do país, tomaram o edifício aos gritos de “Fora, Moreno!”, mas foram retirados pela polícia minutos depois.

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O prédio foi invadido depois de os manifestantes romperem grades de proteção que envolviam a entrada principal da Assembleia. Mais de 10 mil pessoas se concentram em Quito à espera de uma grande manifestação amanhã contra o presidente. 

Os líderes da Conaie pediram que os manifestantes, muitos deles jovens, não entrem em confronto com a polícia. Houve disparo de bombas de gás lacrimogêneo, segundo testemunhas. A polícia cerca o quarteirão onde fica a assembleia.

No início da noite desta terça, por volta das 18h (20h de Brasília), Moreno decretou o toque de recolher noturno em volta de prédios públicos, para impedir novas invasões.     

A liberdade de trânsito e mobilização ficará restrita entre 20h e 5h locais (22h e 07h Brasília) para as "áreas próximas a prédios e instalações estratégicas onde funcionam as sedes" do Estado, destaca o documento.            

Moreno transferiu sede do governo para Guayaquil

 Diante da chegada à capital do país de milhares de indígenas que rejeitam o fim dos subsídios decretado pelo governo e a consequente alta do preço dos combustíveis, Moreno decidiu transferir a sede do governo, com base no estado de exceção decretado na quinta-feira para tentar sufocar a rebelião social.

Com a medida - que a princípio foi decretada por 60 dias, mas que o a Corte Constitucional restringiu para apenas 30 -, os militares foram enviados às ruas e o governo pode restringir direitos e impor censura prévia à imprensa. 

A Corte explicou que as medidas de limitação e suspensão de direitos estabelecidas no decreto de exceção serão aplicadas com relação à "liberdade de associação, reunião e livre trânsito", assim como nas requisições consideradas necessárias pelo Estado.

Presidente acusa Correa de golpe

Moreno acusou seu antecessor e antigo aliado Rafael Correa - que mora na Bélgica - e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de querer desestabilizar seu governo. "O sátrapa do Maduro ativou com Correa seu plano de desestabilização", afirmou Moreno em um discurso na rede nacional de rádio e TV.

Ao lado de seu vice-presidente, Otto Sonnenholzner, e do ministro da Defesa, Oswaldo Jarrín, Moreno disse que Correa e vários de seus ex-colaboradores viajaram "ao mesmo tempo, há poucas semanas, para a Venezuela", e colocou em dúvida que tenha sido uma "coincidência".

Moreno também chamou os "correístas" de corruptos e afirmou que "estão por trás desta tentativa de golpe de Estado, com o uso e instrumentalização de alguns setores indígenas, aproveitando sua mobilização para saquear e destruir". / EFE e AFP

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