AP Photo/Dolores Ochoa
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Indígenas liberam estradas do Equador após dois dias de protestos

Manifestações contra alta do preço dos combustíveis tiveram ao menos 37 presos e oito feridos

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2021 | 17h03

QUITO - Indígenas do Equador liberaram nesta quinta-feira, 28, estradas que estavam bloqueadas há dois dias em protesto contra a política econômica do governo, informou o Sistema de Segurança Ecu911.

"As estradas estão funcionando", disse Juan Zapata, diretor da entidade, ao canal Teleamazonas. "Esperemos que isso continue assim", acrescentou.

Oito das 24 províncias equatorianas tiveram estradas fechadas durante os protestos. Trechos de rodovias, incluindo a Panamericana, que leva à Colômbia e ao Peru, foram bloqueados com pedras, terra, toras e pneus em chamas.

Os protestos são liderados pela Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), poderosa força de oposição que participou das revoltas que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005. A pauta principal é o aumento de 90% nos preços dos combustíveis desde 2020.

As manifestações, as mais contundentes nos cinco meses de gestão do presidente conservador Guillermo Lasso, acontecem em meio a um estado de exceção de 60 dias, declarado em 18 de outubro. O país vive uma crise de segurança ligada ao narcotráfico, com um aumento de homicídios e massacres carcerários que deixaram mais de 2 mil mortos este ano.

Os protestos, que começaram na terça-feira, 26, deixaram 37 presos e oito policiais feridos, segundo o governo. Dois soldados também foram detidos por algumas horas.

Um jornalista e líder indígena morreu acidentalmente durante a cobertura das manifestações.

Sem encerrar a mobilização, a Conaie disse que está avaliando novas medidas de pressão.

"Continuamos com uma agenda de luta clara, nos organizando em nível territorial para consolidar essa força e para que nossas vozes sejam ouvidas", disse a entidade nesta quinta-feira no Twitter.

O governo convidou o chefe da Conaie, Leonidas Iza, a um diálogo na sede presidencial no dia 10 de novembro, segundo o porta-voz Carlos Jijón.

Lasso e Iza se reuniram pela primeira vez em 5 de outubro para analisar as demandas indígenas, como a suspensão da alta do combustível e o combate a licitações de áreas de exploração de petróleo e mineração em territórios indígenas. /AFP

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