Indignados com corrupção e inflação, argentinos protestam contra governo

Panelaço em frente à Casa Rosada quer chamar atenção de Cristina Kirchner e seus ministros

Ariel Palacios, correspondente

07 de junho de 2012 | 22h03

BUENOS AIRES - "Vai acabar, vai acabar, esta mania de roubar!". Com este cântico - e vários outros - milhares de pessoas marcharam nesta quinta-feira, 7, pelas avenidas do centro de Buenos Aires, rumo à Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, o palácio presidencial. A multidão protestou contra os crescentes escândalos de corrupção do governo da presidente Cristina Kirchner, a escalada da inflação (cuja existência as autoridades negam), o aumento da criminalidade nos últimos anos e o elevado gasto do governo em publicidade oficial.

 

Diversas faixas indicavam irritação da população com a intervenção do governo na economia, especialmente nas recentes medidas da presidente Cristina contra o dólar, que foi o principal refúgio dos argentinos nos momentos de crise nos últimos 40 anos.

 

A indignação cresceu a partir da semana passada, quando a imprensa revelou que, enquanto o governo realizada uma verdadeira cruzada nacionalista contra a moeda americana, a maior parte do gabinete presidencial, além da própria Cristina Kirchner, investia em dólares.

 

Batendo panelas ou as palmas, gritando ou tocando apitos, a multidão - integrada por uma grande quantidade de jovens - marchou desde os principais bairros da cidade rumo ao centro pela Avenida 9 de Julio, Diagonal Norte e Avenida de Mayo. Os manifestantes não ostentaram bandeiras políticas nem faixas alusivas a grupos partidários.

 

A convocação para o protesto foi realizada por cadeias de emails e pelas redes sociais. Um dos principais grupos que convocaram o protesto, o "Argentinos indignados", propôs um panelaço "sem bandeiras e sem violência". Segundo representantes do coletivo, a intenção do protesto "não é pedir que todos vão embora" (slogan dos protestos da crise de 2001-2002). Agora, eles querem ser ouvidos.

 

Os manifestantes reunidos na Praça de Mayo especulavam em organizar panelaços todas as quintas-feiras, até que o governo atenda os pedidos. "Pela liberdade! Argentina, acorda!" eram os dizeres de uma faixa de uma família que protestava na frente das grades colocadas pela polícia, que impedia o acesso á metade da Praça de Mayo.

 

"Criticar não é ser golpista", dizia outro cartaz, em alusão à acusação de "golpistas" que a presidente Cristina e seus ministros disparam quando ouvem críticas que não apreciam.

 

Outros panelaços, de menor magnitude, foram realizados em vários bairros portenhos. Um protesto, reunindo uma centena de pessoas, foi realizado na frente da residência presidencial de Olivos, na zona norte da área metropolitana de Buenos Aires.

 

Mídia. O canal estatal TV Pública ignorou o panelaço, dedicando a cobertura de seu telejornal ao velório da cantora de boleros Estela Raval, além de parabéns à imprensa pelo "Dia do Jornalista" na Argentina, celebrado nesta quinta-feira. 

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