Indonésia: 5 mil protestam contra Wahid

Mais de cinco mil estudantes marcharam pelas ruas de Jacarta, capital da Indonésia, hoje exigindo que o presidente Abdurrahman Wahid renuncie em virtude do escândalo de US$ 2 milhões. O protesto pacífico aconteceu quando os 500 membros do Parlamento estavam à portas fechadas para ouvir os resultados da investigação sobre a denúncia que tem afundado o mandato de Wahid, que também é conhecido pelo apelido de Gus Dur. ?Gus Dur renuncie?, gritavam os manifestantes enquanto passavam pela Avenida Sudirman. O protesto foi o maior já organizado contra Wahid. A polícia disse que aproximadamente 300 pessoas que apoiam o atual presidente também se reuniram em frente ao Parlamento. A polícia passou toda a noite protegendo o prédio, que estava cercado com arame farpado. Veículos procuravam por bombas e armas.Havia temores que manifestantes pró e contra Wahid pudessem entrar em confronto. Entretanto, não houve nenhum relato de violência. Legisladores que tomaram parte das investigações ainda não divulgaram o que exatamente descobriram. Contudo, há boatos que não existem evidências suficientes para comprovar a culpa do presidente nos casos de corrupção. Não há certeza até o momento se o Parlamento irá prosseguir com o caso e iniciar o longo processo de impeachment. A popular vice-presidente Megawati Sukarnoputri, cujo partido controla a maioria das cadeiras na atual legislatura e que é a mais provável sucessora de Wahid, ainda não comentou o escândalo. Entretanto, há informações que os seus aliados estão divididos entre apoiar o atual chefe de Estado ou não. A investigação sobre o presidente veio em um período quando Wahid estava com a popularidade muito baixa por não conseguir resolver problemas que afligiam a nação como a violência de grupos separatistas que já matou milhares de pessoas. O primeiro escândalo surgiu quando parceiros de Wahid alegaram que ele utilizou de sua posição para fraudar a principal empresa alimentícia estatal do país, a Bulog, ao transferir ilegalmente US$ 4 milhões de seu fundo de pensão.Oficiais da Bulog declararam que alguns meses antes Wahid havia perguntado se o dinheiro do fundo poderia ser enviado para projetos de assistência na província de Aceh, uma região devastadas pelos conflitos separatistas. O presidente admitiu inicialmente que considerava fazer isso, mas depois mudou de idéia. Ao invés disso, ele aceitou US$ 2 milhões de um sultão de Brunei. Sua declaração levou a um segundo escândalo, chamado de ?Bruneigate?, mesmo que Wahid insistisse que o dinheiro do sultão foi uma doação pessoal.

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