EFE/Bagus Indahono
EFE/Bagus Indahono

Indonésia investigará se passageiros voavam irregularmente no Hércules acidentado

Parentes de algumas vítimas disseram que elas tinham pago para viajar no avião militar

O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2015 | 21h44

JACARTA - A Força Aérea da Indonésia prometeu ontem investigar se o antigo Hércules C-130 que caiu na segunda-feira em uma área residencial na cidade de Medan, matando 142 pessoas, estava levando passageiros civis que pagaram pelo voo, violando regras. A maioria das pessoas a bordo havia embarcado em duas escalas após a decolagem, em Jacarta, e o C-130 levava muito mais pessoas do que o notificado inicialmente.

O comandante Edy Rahmayadai disse que as buscas por corpos tinham sido encerradas. Entre os mortos estão os 12 tripulantes, os 101 passageiros, além das 20 pessoas que morreram em solo, quando o avião caiu sobre várias casas. As autoridades, porém, disseram que ainda não podiam dar um número final de vítimas, pois várias partes de corpos retiradas dos destroços foram levadas para o hospital.

A causa do acidente ainda está sendo investigada, mas o piloto havia informado que estava com problemas no motor e retornaria à Base da Força Aérea de Soewondo.

Inicialmente, a Força Aérea disse que havia apenas os 12 tripulantes na aeronave, fabricada em 1964. Mas, repentinamente, elevou o número de pessoas a bordo, indicando a confusão sobre quantos passageiros havia no Hércules. Parentes e amigos de algumas vítimas disseram que elas haviam pagado para viajar. Na Indonésia, é comum pegar carona em aviões militares para chegar a áreas remotas do arquipélago. A Força Aérea, no entanto, tinha prometido acabar com a prática.

No Hospital Adam Malik, Indra Bakara disse que seu sobrinho era um dos civis que estava no Hércules C-130 e havia pagado cerca de 1 milhão de rupias (US$ 75) para ir para a cidade de Natuna. “A falta de transporte para Natuna nos força a recorrer aos aviões militares. Não temos escolha”, disse. “Agora, percebemos que não podemos esperar nenhum tipo de compensação, seguro ou mesmo desculpas dos militares”, declarou, acrescentando que não sabia da proibição.

Riski Ananda, universitária de 20 anos, disse que seu amigo Musyawir pagou uma pequena taxa administrativa para embarcar com outros estudantes da cidade de Pekanbaru, na Ilha de Sumatra, para Natuna. Muitos universitários em Pekanbaru usam aviões militares para visitar suas famílias.

O marechal da Força Aérea, Agus Supriatna, disse que o C-130 estava autorizado apenas a transportar militares e seus parentes e acrescentou que investigará as alegações de passageiros que pagaram pela viagem. Uma cópia do manifesto do voo indicava que, além dos 12 tripulantes, havia outras 32 pessoas sem nenhuma designação.

Ainda ontem. o presidente da Indonésia, Joko Widodo, pediu uma “avaliação profunda” da antiga frota de aviões militares para que não se repitam acidentes como o de segunda-feira. O vice-presidente, Yusuf Kalla, reconheceu que o Hércules acidentado era muito velho. / AP e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
IndonésiaHérculesquedaMedan

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.