Adi Weda/Efe
Adi Weda/Efe

Indonésia pede ajuda aos EUA na busca por avião que sumiu

Autoridades indonésias ampliam área de investigação e dizem que destroços e óleo encontrados não têm ligação com aeronave

AFP, AP e REUTERS

29 de dezembro de 2014 | 22h10

A Indonésia pediu nesta segunda-feira, 29, ajuda dos EUA para localizar o Airbus A320 da AirAsia, que desapareceu no domingo com 162 pessoas a bordo. “Estamos analisando o pedido para saber como podemos ajudar”, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Jeff Rathke. O governo indonésio acredita que o avião esteja no fundo do mar e o país não tem equipamentos para resgatá-lo. 


O segundo dia das operações de resgate terminou sem qualquer sinal da aeronave, o que levou as autoridades indonésias a ampliar a área de busca. O chefe da Agência Nacional de Busca e Resgate, Bambang Soelistyo, disse que as equipes de salvamento devem vasculhar o sul da Ilha de Bangka e oeste de Bornéu - 30 navios e 15 aviões de 4 países participam das buscas.



Nesta segunda, o governo da China anunciou que também enviará em “caráter de urgência” navios para ajudar a encontrar o avião, que viajava da cidade de Surabaya, na Indonésia, para Cingapura. Equipes de Malásia, Austrália e Cingapura já ajudam no resgate da aeronave.


Grupos de busca localizaram duas manchas de óleo no Mar de Java. Mas, de acordo com autoridades da Indonésia, o material não está relacionado com a aeronave da AirAsia. 


Mais cedo, Dwi Putranto, comandante da base da aérea de Jacarta, disse que um avião australiano Orion havia detectado objetos próximos à Ilha de Nangka, a cerca de 1.100 quilômetros do local onde o avião desapareceu. O vice-presidente da Indonésia, Jusuf Kalla, negou que os objetos sejam do Airbus.


Os controladores de tráfego aéreo da Indonésia perderam o contato com a aeronave às 7h24 (hora local), 42 minutos após sua decolagem do aeroporto de Surabaya, às 5h20 (20h20 de sábado em Brasília). O pouso estava previsto em Cingapura para 8h30, horário local (23h30 em Brasília).


Djoko Murjatmodjo, funcionário do Ministério dos Transportes da Indonésia, afirmou ao jornal Kompas que o controle de tráfego aéreo havia aprovado o pedido do piloto para mudança de rota. O comandante queria subir de 32 mil pés (9.750 metros) para 38 mil (11.580 metros) e virar à esquerda em razão do mau tempo. 


O controle aéreo pediu que o avião não subisse a 38 mil pés, pois havia outras seis aeronaves voando a essa altitude, e disse que teria de falar com as torres de controle da região. Mas o Airbus desapareceu dos radares minutos depois.


Lucro. A AirAsia é uma companhia de baixo custo que cobre cerca de 100 destinos por mais de 15 países, incluindo Tailândia, Malásia, Indonésia, Cingapura e Austrália. Em 2001, o bilionário malaio Tony Fernandes - que é dono do clube de futebol Queens Park Rangers, da Inglaterra - comprou a endividada companhia por apenas US$ 0,25 e a transformou em uma das mais populares linhas aéreas da região. “Este é meu maior pesadelo”, disse Fernandes, pelo Twitter, após o acidente.


A bordo do Airbus desaparecido viajavam 155 indonésios, 3 sul-coreanos, 1 francês, 1 britânico, 1 malaio e 1 cingapuriano. O governo dos EUA confirmou que não havia nenhum americano a bordo. 


Uma família indonésia escapou do voo porque não chegou a tempo para o embarque. Christianawati, de 36 anos, afirmou ontem que dez membros de sua família haviam seguido para o aeroporto de Surabaya para pegar o avião e passar o ano-novo em Cingapura. A família tinha reservado o voo de 7h30, mas a AirAsia a transferiu para o das 5h30 e ela não recebeu a informação. 


“Fomos ao aeroporto para tomar o voo das 7h30 e, quando chegamos, informaram sobre a mudança de horário. Ficamos enfurecidos. Mas, no momento em que estavam imprimindo novos bilhetes, soubemos do desaparecimento, então cancelamos imediatamente nosso voo.”


Ações da AirAsia despencam. As ações da AirAsia caíram 8,5% nesta segunda em Kuala Lumpur, um dia após um avião da companhia malaia desaparecer com 162 pessoas a bordo. O incidente é a maior crise enfrentada pela AirAsia, que é uma das maiores linhas aéreas de voos baratos da Ásia. As ações da AirAsia X, que opera voos de longa distância, também caíram 7,3%. 


A seguradora Allianz, responsável pela cobertura da fuselagem e a responsabilidade civil, poderia ter de pagar entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões pelos passageiros e o avião. A Allianz também foi a seguradora do avião da Malaysia Airlines que sumiu em março e do que foi derrubado em julho na Ucrânia.

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