Indonésia pede fim de seita islâmica considerada herege

Governo quer que movimento que não reconhece Maomé interrompa atividades; protesto apóia medida

Agência Estado e Associated Press,

09 de junho de 2008 | 11h47

O governo da Indonésia ordenou nesta segunda-feira, 9, que membros de uma moderada seita muçulmana retornem a praticar o Islamismo mais comum no país. Caso contrário, eles podem ser presos por insultar a religião predominante nesta nação. Milhares de fundamentalistas islâmicos lideraram um protesto na capital do país, Jacarta, pelo banimento do movimento religioso, o qual não reconhece Maomé como o seu profeta.   Os críticos podem ver a medida como um fracasso do governo do presidente Susilo Bambang Yudhoyono para firmar os valores seculares da jovem democracia local. Ao mesmo tempo, o líder trabalha para definir a identidade muçulmana indonésia, após décadas de ditadura.   Os muçulmanos locais são em sua grande maioria moderados, mas nos últimos anos uma corrente extremista ganhou espaço. O governo, que conta com o apoio de partidos islâmicos no Parlamento, é acusado de ceder demais às demandas desse grupo. Um documento firmado por dois ministros e pelo procurador-geral "ordena a todos os seguidores da Ahmadiyah que interrompam suas atividades", ou correm o risco de serem condenados a até cinco anos.   A Constituição da Indonésia garante a liberdade de culto. Mas muitos na nação de 253 milhões de pessoas consideram ofensivo que a seita não reconheça Maomé como o último profeta. Os linhas-duras têm atacado membros da Ahmadiyah e incendiado mesquitas dessa seita após o governo afirmar, em abril, que considerava banir o grupo. Na semana passada, vários ativistas da tolerância religiosa foram agredidos durante uma manifestação, enquanto a polícia apenas observava.   A Ahmadiyah, criada em 1889, na região indiana do Punjab, considera seu fundador Mirza Ghulam Ahmad como o profeta e o messias, contrariando o islamismo tradicional. A Ahmadiyah tem milhões de membros no mundo, e estima-se que na Indonésia haja 200 mil seguidores dessa seita.   O ministro de Assuntos Religiosos Maftuh Basyuni, um dos signatários do documento, disse que "não se trata de uma intervenção na fé de alguém, mas de para manter a ordem e a segurança". O decreto também pede aos radicais que "evitem atos violentos" contra os seguidores da Ahmadiyah.

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