Indonésia: polícia dispara tiros contra multidão

Policiais dispararam tiros de advertência hoje em duas cidades da Indonésia para dispersar manifestantes, ao mesmo tempo em que uma multidão ateava fogo em um escritório do Partido Golkar, do ex-presidente Suharto, numa terceira localidade. Todos os protestos foram realizados contra uma tentativa do parlamento de julgar o presidente Abdurrahman Wahid por suspeita de corrupção. Hoje foi o segundo dia consecutivo em que as tropas de choque agiram contra milhares de manifestantes na região leste da província de Java.A polícia da Indonésia conseguiu hoje impedir que pelo menos 10 mil seguidores do presidente Abdurrahman Wahid incendiassem a sede do partido Golkar, partido do ex-presidente Suharto, na cidade de Lamongan, a cerca de 500 quilômetros de Jacarta. Para impedir a ação dos manifestantes, a polícia fez disparos de advertência contra a multidão. Na vizinha Nganjuk, cerca de mil pessoas atearam fogo em um dos comitês do partido. Já em Sampang, cerca de 4 mil pessoas desafiaram tiros de advertência e queimaram cadeiras e mesas pertencentes a um escritório partidário. Um dia antes, uma multidão de manifestantes pôs fogo na sede do Golkar na cidade de Surabaya.As manifestações iniciaram depois de o parlamento ter aprovado, na semana passada, um voto de censura ao presidente com base em um relatório parlamentar que liga Wahid a escândalos de corrupção. De acordo com o documento, Wahid teria desviado para uso próprio uma doação de US$ 2 milhões feita pelo sultão de Brunei. No outro escândalo, envolvendo US$ 4 milhões, o presidente, segundo seus acusadores, teriam ajudado um amigo a conseguir um contrato com o governo. O presidente nega as duas acusações.

Agencia Estado,

08 de fevereiro de 2001 | 13h13

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