Indonésia reforça ligação de atentado com grupo extremista

Investigadores anunciaram hoje que a principal bomba que destruiu uma boate em Bali foi feita de nitrato de amônia, produto que vinha sendo armazenado por um grupo extremista islâmico associado à Al-Qaeda. Apesar de a polícia não ter chegado a afirmar que a bomba foi feita e plantada pelo Jemaah Islamiyah, acusado por uma série de ataques terroristas nos últimos anos no Sudeste Asiático, a revelação reforçou a suspeita de que o grupo esteve envolvido no atentado, que deixou mais de 200 mortos, a grande maioria estrangeiros. Enquanto isso, organizações moderadas islâmicas da Indonésia pediram às autoridades para reprimir o Jemaah Islamiyah e outros extremistas, que, segundo elas, representam uma pequena minoria dentre os 170 milhões de muçulmanos do país. O pedido foi feito em meio a um continuado impasse na cidade de Solo, no centro de Java, entre a polícia, que quer interrogar o líder espiritual do Jemaah Islamaiyah, Abu Bakar Bashir, e dezenas de estudantes de uma escola islâmica na qual ele é professor. Bashir, 64 anos, está hospitalizado com problemas respiratórios e cardíacos, apesar de a polícia não acreditar realmente que ele esteja doente. Policiais ainda não tentaram retirá-lo à força, mas estão guardando o hospital e dizem que vão esperar que ele se recupere para interrogá-lo. Pelo terceiro dia consecutivo, estudantes de sua escola foram ao local e prometeram evitar que ele seja retirado. A determinação dos jovens levantou temores de confronto, caso a polícia tente levá-lo para Jacarta, como está planejado. Bashir não é um suspeito do atentado em Bali, mas foi formalmente detido na semana passada por suspeita de envolvimento em vários atentados a bomba contra igrejas cristãs em Jacarta na véspera do Natal de 2000, que mataram 19 pessoas, e de um complô para assassinar a presidente Megawati Sukarnoputri. Potências estrangeiras vinham exortando há meses a Indonésia a prendê-lo, enquanto aumentavam os ataques e complôs atribuídos ao Jemaah Islamiyah em todo o Sudeste Asiático. Mas a Indonésia, temendo reações de extremistas, recusava-se a fazê-lo, até que o atentado em Bali tornou a situação insustentável. O Jemaah Islamiyah, segundo informações, teria adquirido pelo menos quatro toneladas de nitrato de amônia, um produto químico de uso agrícola que pode também ser usado na fabricação de bombas. Mais de 100 investigadores estrangeiros da Austrália, EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Japão ajudam a polícia indonésia na busca de evidências do atentado na praia Kuta, um bairro boêmio popular entre jovens turistas. Investigadores informaram hoje que a explosão inicial na frente da boate Paddy foi provocada por uma bomba contendo não mais do que um quilo de TNT. A segunda explosão, muito mais mortífera, na boate Sari, foi causada por cerca de 100 kg de nitrato de amônia.

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