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Indonésia resgata 7 corpos e confirma ter encontrado Airbus no fundo do mar

Navio determina localização do avião da AirAsia que caiu no Índico com 162 pessoas a bordo, mas buscas tiveram de ser suspensas em razão do mau tempo

O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2014 | 07h21

(ATUALIZADA ÀS 15h) JACARTA - As autoridades da Indonésia confirmaram nesta quarta-feira, 31, que um navio localizou com precisão a localização do Airbus da AirAsia, desaparecido desde domingo com 162 pessoas a bordo. Ele está a 3 quilômetros de onde foram encontrados os primeiros destroços na terça-feira. O mau tempo no Mar de Java, no entanto, causou a suspensão das buscas. Por isso, apenas sete corpos foram retirados da água até agora. 

As autoridades indonésias não informaram se a aeronave está intacta ou acabou se partindo com o impacto. Especialistas em aviação acreditam que a fuselagem pode ser facilmente encontrada por mergulhadores, já que a aeronave está a cerca de 40 metros de profundidade e, provavelmente, só se desfez quando atingiu a água. Alguns jornais locais afirmam que o avião está de cabeça para baixo, fato que não foi confirmado pela Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas).

Segundo o chefe da Basarnas, Fransiskus Bambang Soelistyo, uma das vítimas localizadas era um comissário de bordo que ainda estava vestido com o uniforme da AirAsia. Soelistyo desmentiu a notícia de um dos corpos estivesse vestido com colete salva-vidas, como havia sido divulgado mais cedo.

No entanto, o fato de os corpos resgatados até agora estarem vestidos aponta, de acordo com especialistas em aviação, que o Airbus, provavelmente, não se partiu no ar. O argumento é reforçada pelo fato de os destroços não estarem espalhados por uma área muito extensa. 

Legistas indonésios temem, no entanto, que os restos mortais não possam ser identificados após mais de três dias na água, por isso solicitaram amostras de DNA a familiares dos passageiros e tripulantes.

As equipes de resgate tentam também localizar e recuperar as caixas-pretas do avião para saber o que causou o acidente. Os dois primeiros corpos recuperados na terça-feira - uma mulher e uma criança - chegaram nesta quarta-feira ao aeroporto de Surabaya, de onde o voo QZ-8501 partiu, no domingo, com destino a Cingapura - os controladores de voo perderam contato com a cabine de comando 42 minutos após a decolagem. 

Ainda não está claro o que aconteceu com o Airbus da AirAsia, mas a última comunicação da tripulação foi um pedido para o controle de tráfego aéreo para elevar a altitude da aeronave de 32 mil para 38 mil pés para evitar o mau tempo. Após receber permissão para voar a 34 mil pés, o piloto não respondeu. 

Nesta quarta-feira, o mau tempo continua na região do acidente e as autoridades indonésias foram obrigadas a suspender as operações de busca em razão da chuva, dos ventos fortes e de ondas de até 3 metros. 

Pedidos de desculpas. O canal TVOne, da Indonésia, que transmitiu ao vivo imagens de corpos de vítimas do acidente, pediu desculpas aos parentes dos mortos. Na terça-feira, quando aguardavam informações no aeroporto de Surabaya, eles entraram em desespero e ficaram em estado de choque depois de ver na TV as imagens de um corpo boiando no Mar de Java. Houve pânico e muitos precisaram de atendimento médico.

O proprietário da AirAsia, o bilionário malaio Tony Fernandes, também pediu desculpas e enviou condolências aos parentes das vítimas. “Meu coração está cheio de tristeza por todas as famílias envolvidas no QZ -8501”, escreveu Fernandes em sua conta no Twitter. “Em nome da AirAsia, minhas condolências a todos. Palavras não podem expressar o quanto estou triste.”

Cerca de 30 navios e 21 aviões de Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Malásia, Cingapura, Coreia do Sul, China e EUA continuarão as buscas na quinta-feira em uma área de cerca de 60 mil quilômetros quadrados. O objetivo é acelerar as operações de busca para evitar que as correntes espalhem ainda mais os destroços. De acordo com a Basarnas, aproximadamente 90 mergulhadores, a maioria indonésios, estão de prontidão para retomar as buscas assim que o tempo permitir. / REUTERS, AP. AFP e NYT

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