Jewel Samad / AFP
Jewel Samad / AFP

Indonésia sofre com dificuldades de resgate e erupção de vulcão; mortos já são mais de 1,4 mil

Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, ao menos 200 mil pessoas precisam de ajuda humanitária com urgência; sobreviventes lutam contra a fome e a falta de água potável

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 06h48

PALU, INDONÉSIA - O número de mortos no terremoto seguido de tsunami no arquipélago de Célebes, na Indonésia, subiu nesta quarta-feira, 3, para 1.407, de acordo com o boletim mais recente das autoridades.

"Ainda há corpos presos sob os escombros. Não sabemos quantos. Nossa prioridade segue sendo encontrar e salvar as pessoas", disse Willem Rampangilei, diretor de agência indonésia de gestão de catástrofes naturais.

O Centro de Coordenação de Ajuda Humanitária e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) advertiram para a urgente necessidade de bolsas plásticas para os cadáveres. Em razão do clima equatorial da Indonésia, os corpos entram em decomposição rapidamente, com risco da propagação de doenças.

Ao menos 200 mil pessoas precisam de ajuda humanitária com urgência, afirmou o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), incluindo dezenas de milhares de crianças. Calcula-se que 66 mil residências foram destruídas pelo terremoto de 7,5 graus de magnitude seguido por um tsunami que varreu as ilhas de Célebes na sexta-feira.

Desde então, os sobreviventes lutam contra a fome e a falta de água potável, enquanto as autoridades se desdobram para atender os feridos.

"Apesar de o governo e das organizações de emergência trabalharem sem descanso para aportar uma ajuda vital, as necessidades permanecem imensas", declarou a agência. "As equipes que trabalham no local têm um sentimento de frustração", explicou na noite de terça-feira em Genebra Jens Laerke, do OCHA. "Ainda não chegaram a partes importantes do que pode ser a zona mais afetada, mas estão se esforçando como podem.”

Em Palu, a principal cidade devastada, a energia elétrica já está disponível em 30% da cidade, incluindo os bairros de Balaroa e Tipo e no hospital Anutapura, disse Sarjan Mokodomgan, funcionário da companhia estatal de eletricidade.

Saques

A polícia deu tiros de advertência e usou gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas que saqueavam lojas em Palu. Os agentes, que até agora haviam permitido que sobreviventes desesperados entrassem em mercados fechados para pegar comida e água, prenderam 35 pessoas pelo roubo de computadores e dinheiro.

"No primeiro e segundo dia não havia estabelecimentos abertos. As pessoas estavam com fome, algumas realmente necessitadas. Isto não é um problema", disse o vice-comandante da polícia nacional, Ari Dono Sukmanto. "Mas depois do segundo dia, os alimentos começaram a chegar. Precisam apenas de distribuição. Agora estamos restabelecendo a lei.”

O desespero é visível nas ruas de Palu, onde os sobreviventes escalam montanhas de destroços para procurar objetos. Outros se reúnem nas proximidades dos poucos edifícios com energia elétrica ou entram em filas para receber água, dinheiro ou combustível, observados por policiais armados.

As equipes de emergência não têm equipamentos suficientes e os trabalhos são dificultados pelas estradas bloqueadas e os danos nas infraestruturas. Além disso, na terça-feira, o país registrou dois tremores na costa, mas a centenas de quilômetros de Palu.

O Exército lidera os trabalhos de resgate, mas após um pedido do presidente, Joko Widodo, ONGs internacionais também enviaram equipes à região.

Vulcão

O vulcão Sotupan, na Ilha de Célebes, entrou em erupção nesta quarta-feira, obrigando as autoridades do país asiático a elevarem o alerta na região para o nível 3 de uma escala de 4, informaram fontes oficiais.

O Sotupan emitiu uma coluna de fumaça de 4 mil metros de altura que se move em direção ao oeste do vulcão, onde as autoridades estabeleceram um rádio de segurança de 4 quilômetros ao redor da cratera, indicou a agência indonésia.

O porta-voz do órgão, Sutopo Purwo Nugroho, disse em sua conta no Twitter que as condições deste vulcão são seguras, além do perímetro de segurança estabelecido em um raio de dois quilômetros ao redor da cratera.

A Indonésia, um arquipélago de 17 mil ilhas, fica no Anel de Fogo do Pacífico e é um dos países do mundo mais propensos a sofrer desastres naturais. / AFP, REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.