EFE/ Antara Foto / Muhammad Adimaja
EFE/ Antara Foto / Muhammad Adimaja

Indonésia vive caos após tremor seguido de tsunami causar destruição

Presos fogem, lojas são saqueadas e governo pede ajuda após tragédia que matou 1.234 pessoas e deixou centenas de desaparecidos

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 20h34

PALU, INDONÉSIA - O governo da Indonésia pediu ajuda internacional nesta segunda-feira, 1, para lidar com os efeitos do terremoto seguido de um tsunami que atingiu a Ilha de Celebes na sexta-feira e causou pelo menos 1.234 mortes. Segundo o governo, centenas de pessoas podem estar presas nos escombros. 

Quatro dias após a tragédia, a região está imersa no caos. Os hospitais não conseguem atender todos os feridos – muitos estão sendo medicados ao ar livre – e as equipes de resgate estão com enormes dificuldades para trabalhar. “Estamos tendo problemas para enviar o maquinário pesado para encontrar vítimas sob os escombros, pois várias das estradas que levam a Palu estão destruídas”, disse o responsável da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Willem Rampangilei. 

De acordo com as primeiras estimativas, 16.700 pessoas nessa cidade foram retiradas de suas casas e estão à espera de ajuda. “Temos comunicações limitadas sobre a destruição em Palu, mas não sabemos nada sobre Donggala e isso é preocupante. Mais de 300 mil pessoas vivem lá”, disse a Cruz Vermelha em um comunicado. “Isso é uma tragédia, mas pode piorar”, afirmou o vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla.

Na segunda-feira, 1º, a ONU alertou que 191 mil pessoas precisam de ajuda urgente no país. As autoridades temem que o número de mortos aumente consideravelmente nos próximos dias, quando os danos sofridos nas áreas remotas e sem comunicação afetadas pelo desastre vierem à tona, “uma área maior do que o estimado inicialmente”, segundo o porta-voz do órgão, Sutopo Purwo Nugroho. Dezenas de pessoas estão desaparecidas, muitas presas sob os escombros.

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Em outras cidades, supermercados têm sido saqueados, com dezenas em busca de suprimentos. O governo também teme pela segurança, já que ao menos 1.200 presos tiveram de ser libertados de três penitenciárias. Momentos após o tsunami atingir a ilha, as prisões foram abertas e os prisioneiros, soltos. 

Uma prisão na cidade de Palu, projetada para acomodar 120 prisioneiros, tinha 581 reclusos. “A água jorrou do chão do pátio da prisão, o que causou pânico entre os prisioneiros”, disse o funcionário do Ministério da Justiça, Sri Puguh Utami. “Tenho certeza de que eles escaparam porque estavam com medo de serem afetados pelo terremoto.” A maioria cumpria pena por corrupção e tráfico de drogas.

Alertas de tsunami à população local falharam, fazendo muitos se surpreenderem com as ondas, disse o centro de pesquisa alemão que desenvolveu o sistema de alerta usado na Indonésia.

“O problema foi a comunicação entre as autoridades locais e as pessoas perto da praia”, disse Joern Lauterjung, diretor de geoserviços da GFZ. Lauterjung afirmou que o sistema funcionou como planejado, prevendo ondas de até 3 metros. “Se você olhar toda a cadeia de alerta, da criação de um sinal de alerta até o último quilômetro, como dizemos, até a população local em perigo, houve um problema ali”, disse. “Por exemplo, parece que sirenes não funcionaram, e não houve alertas à população local com alto-falantes”, acrescentou.

Busca de sobreviventes

Em um cenário de devastação, as equipes de resgate lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e retirá-los dos escombros. Nesta segunda, as equipes trabalhavam entre os destroços do hotel Roa Roa, onde as autoridades acreditam que entre 50 e 60 pessoas possam ter sido soterradas. Até o momento, duas pessoas foram resgatadas com vida do local, segundo uma fonte oficial.

Muitos moradores procuram os parentes desaparecidos nos hospitais ou necrotérios improvisados. Nos fundos de um hospital, dezenas de corpos foram posicionados e cobertos com lonas, enquanto os feridos esperavam por atendimento do outro lado do edifício. Para evitar os riscos à saúde, as autoridades querem organizar enterros em massa.

Fontes do governo local informaram que 1,2 mil detentos escaparam de prisões da região, uma delas em Palu e outra em Donggala.

Carros amassados, edifícios reduzidos a escombros, árvores no chão e postes de energia elétrica derrubados demonstram a violência do terremoto de 7,5 graus de magnitude, que teve seu epicentro registrado a centenas de quilômetros de Palu e provocou uma onda gigante./ AFP, EFE e REUTERS

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