Tatan Syuflana / AP
Tatan Syuflana / AP

Indonésios cavam vala comum para enterrar vítimas de terremoto; número de mortos vai a 1.234

Equipes de emergência tentam encontrar sobreviventes em meio aos escombros; governo da Indonésia pede ajuda internacional, mas envio de material é complicado, já que estradas e aeroportos estão danificados

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 07h51

PALU, INDONÉSIA - Voluntários indonésios cavavam nesta segunda-feira, 1.º, uma fossa comum para enterrar as centenas de vítimas do terremoto seguido de um tsunami que causou destruição na Ilha Célebes. Equipes de emergência tentam encontrar sobreviventes em meio aos escombros. 

Diante da magnitude da catástrofe que deixou ao menos 1.234 mortos, o governo da Indonésia pediu ajuda internacional. O balanço de vítimas é superior ao do terremoto que abalou a ilha indonésia de Lombok em agosto, matando mais de 500 pessoas. As autoridades temem um número muito maior de mortos, pois grande parte da região afetada permanece inacessível.

Dezenas de agências humanitárias e ONGs ofereceram ajuda ao país, mas o envio de material à região é muito complicado, já que as estradas estão bloqueadas e os aeroportos, muito danificados. A ONU estima que 191 mil pessoas precisam de ajuda urgente após o desastre.

"Não temos muita comida. Só conseguimos pegar o que estava em casa. E precisamos de água potável", disse Samsinar Zaid Moga, uma moradora de 46 anos de Palu. "O mais importante são as barracas, porque choveu e há muitas crianças aqui", afirmou a irmã dela, Siti Damra.

A ONG Oxfam prevê o envio de ajuda a cerca de 100 mil pessoas, com alimentos instantâneos, equipamentos de purificação de água e barracas, anunciou Ancilla Bere, diretora da organização na Indonésia.

"Mas o acesso é um grande problema", destacou o diretor do programa Save The Children, Tom Howells. "As organizações de ajuda e as autoridades locais se esforçam para chegar a várias comunidades ao redor de Donggala, onde acreditamos que há grandes danos materiais e a possível perda de vidas humanas em grande escala", explicou.

Reveja: mais de 800 mortos após tsunami na Indonésia

A maior parte das vítimas foi registrada em Palu, cidade de 350 mil habitantes na costa oeste da Ilha Célebes, segundo a Agência de Gestão de Desastres. Mas as autoridades e diversas ONGs também estão preocupadas com a situação na região de Donggala, mais ao norte.

Busca de sobreviventes

Em um cenário de devastação, as equipes de resgate lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e retirá-los dos escombros. Nesta segunda, as equipes trabalhavam entre os destroços do hotel Roa Roa, onde as autoridades acreditam que entre 50 e 60 pessoas possam ter sido soterradas. Até o momento, duas pessoas foram resgatadas com vida do local, segundo uma fonte oficial.

Muitos moradores procuram os parentes desaparecidos nos hospitais ou necrotérios improvisados. Nos fundos de um hospital, dezenas de corpos foram posicionados e cobertos com lonas, enquanto os feridos esperavam por atendimento do outro lado do edifício. Para evitar os riscos à saúde, as autoridades querem organizar enterros em massa.

Fontes do governo local informaram que 1,2 mil detentos escaparam de prisões da região, uma delas em Palu e outra em Donggala.

Carros amassados, edifícios reduzidos a escombros, árvores no chão e postes de energia elétrica derrubados demonstram a violência do terremoto de 7,5 graus de magnitude, que teve seu epicentro registrado a centenas de quilômetros de Palu e provocou uma onda gigante.

As autoridades anunciaram que 71 estrangeiros estavam em Palu no momento do terremoto, a maioria deles já localizados e em processo de retorno a seus países. A Indonésia, um arquipélago de 17 mil ilhas, fica no Anel de Fogo do Pacífico e é um dos países do mundo mais propensos a sofrer desastres naturais. / AFP

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