Indústria é acusada de criar transtorno sexual para vender remédio às mulheres

As empresas farmacêuticas britânicas negaram nesta sexta-feira que tenham criado uma nova doença, conhecida como transtorno sexual feminino, para criar mercado para medicamentos similares ao Vigra para as mulheres. A acusação foi feita em notícia publicada pelo British Medical Journal. De acordo com o texto, pesquisadores vinculados com o setor farmacêutico definiram o novo "transtorno", que na realidade têm que ver com dificuldades emocionais e sociais, em reuniões patrocinadas pelas empresas nos últimos seis anos para estimular o uso dos mesmos medicamentos que ajudaram os homens que sofrem de impotência.O resultado foi que os problemas sexuais femininos foram equivocadamente "medicados" e o número de mulheres afetadas, bastante exagerado. "Há um grave perigo que as complexas causas das dificuldades sexuais da mulher, provocadas em grande parte por causas sociais pessoais e psíquicas, comecem a ser substituídas pela febre de prescrever e diagnosticar drogas para a impotência feminina", escreveu Ray Moynihan, jornalista da Australian Financial Review.Segundo ele, em 1999, texto publicado pela Associação Médica norte-americana informou que 43% das mulheres de 18 a 59 anos sofriam de transtorno sexual e tal informação é enganosa e potencialmente perigosa. Moynihan advertiu que dois dos autores desse controvertido artigo tinham vínculos diretos com a Pfizer.Nos últimos anos, as empresas britânicas teriam lutado de maneira coordenada para obter reconhecimento médico para certas disfunções sexuais femininas e assim começar a vender drogas como o Viagra, que em 2001 rendeu à Pfizer ganhos de mais de US$ 1,5 bilhão."O perigo de falar de dificuldades sexuais como disfunções ajuda na prescrição indevida de drogas que mudam hábitos sexuais em vez de dar atenção a outros aspectos da vida feminina, como o ambiente em que se encontram, fatores sociais ou psíquicos", disse o jornalista.Os fabricantes de remédios disseram que trataram de buscar tratamento opcional para milhões de mulheres com dificuldades sexuais. "Tudo o que se está fazendo é oferecer uma alternativa que possa ser usada pelos médicos, se a situação assim o pedir", disse o diretor médico da Associação da Indústria Farmacêutica Britânica, Richard Tiner.Uma porta-voz da Pfizer rebateu as denúncias e ressaltou que o uso de Viagra (e produtos rivais da Eli Lilly/Icos e Bayer/GlaxoSmithKline que logo serão lançados) ainda não foi aprovado para mulheres. "Trabalhamos para satisfazer a necessidade médica. Há acadêmicos que trabalharam nisso muito antes que viessem pedir o nosso apoio", afirmou a porta-voz.

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