10 Downing Street / AFP
10 Downing Street / AFP

Infectado por coronavírus, Boris Johnson é transferido para a UTI e recebe oxigênio

Em comunicado, um porta-voz do governo disse que as condições de saúde do premiê pioraram na tarde de segunda-feira e, por isso, os médicos decidiram enviá-lo para a UTI

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 16h28
Atualizado 12 de abril de 2020 | 20h59

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido,  Boris Johnson, precisou receber oxigênio nesta terça-feira, 7, mas não utilizou o respirador artificial. Ele foi transferido na segunda, 6, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital St. Thomas, em Londres, um dias após ser internado com persistentes sintomas da covid-19. O líder britânico, de 55 anos, foi diagnosticado com a doença no dia 26 de março.    

Em comunicado, um porta-voz do governo disse que as condições de saúde do premiê pioraram na tarde  de segunda e, por isso, os médicos decidiram enviá-lo para a UTI.  Segundo o comunicado, Johnson apresenta tosse e febre persistentes, mas está consciente e não faz uso de respirador artificial. O texto diz que o premiê teve uma piora em seu quadro de saúde nas últimas horas e a equipe médica aconselhou sua transferência para a UTI, como precaução, para o caso de ele precisar de um respirador. 

“O primeiro-ministro pediu ao secretário de Relações Exteriores, Dominic Raab, que é o primeiro-secretário de Estado, que o substitua sempre que necessário. Boris Johnson está recebendo excelente atendimento e agradece a todos os funcionários do NHS (sistema de saúde público do Reino Unido) por seu trabalho e dedicação”, afirma o comunicado. 

Em entrevista coletiva realizada pela manhã, Raab afirmou não ter falado com Johnson desde o fim de semana. O chefe da diplomacia britânica comandou uma reunião do governo de coordenação das estratégias contra a pandemia. "O primeiro-ministro está recebendo um excelente atendimento. Obrigado a todo o pessoal do sistema de saúde pública pelo trabalho árduo e dedicação", afirma o comunicado. 

Johnson foi internado na noite de domingo, segundo versão oficial, para se submeter a exames. Downing Street havia alegado que se tratava de uma medida preventiva.  

O próprio premiê explicou em uma rede social que estava internado no hospital St. Thomas para fazer testes de rotina. "Eu gostaria de agradecer à equipe brilhante do sistema de saúde pública por cuidar de mim e dos outros nesse período difícil. Vocês são o melhor do Reino Unido", afirmou.  

Governo por videoconferência

Isolado em um apartamento de Downing Street, com comida trazida à sua porta, Johnson continuou a liderar o governo e vinha presidindo as reuniões por videoconferência.

Ele postou uma série de mensagens em vídeo desde então, aparecendo inicialmente de terno e gravata. Entretanto, no último post, na sexta-feira, 3, ele parecia cansado, sentado em uma cadeira com a camisa aberta no pescoço. "Embora eu esteja me sentindo melhor e tenha feito meus sete dias de isolamento, infelizmente ainda tenho um dos sintomas, estou com febre", disse ele. Johnson foi o primeiro líder de uma grande potência a anunciar que testou positivo para o coronavírus.

'Imunização de rebanho'

Johnson estava entre os líderes mundiais que, inicialmente, tentaram reduzir o impacto da pandemia. Quando os casos começaram a surgir, o Reino Unido adotou a estratégia de “imunização de rebanho”, ou seja, de apostar que a infecção de grande parte da população, em teoria, desenvolveria imunidade coletiva e protegeria os cidadãos.

Após o Imperial College, de Londres, apresentar um modelo estatístico com uma previsão catastrófica da estratégia adotada pelo governo, Johnson mudou de ideia e passou a defender o isolamento social como ferramenta para conter a disseminação da pandemia. Os britânicos deveriam limitar ao máximo as viagens e permanecer em casa.

No dia 27, ele divulgou que seu teste para o vírus tinha dado positivo e anunciou que ficaria isolado em Downing Street, a residência oficial. Carrie Symonds, namorada de Johnson, que está grávida, também apresenta sintomas da doença e tem demonstrado preocupação com o estado de saúde do premiê.

O Palácio de Buckingham informou que a rainha Elizabeth II está sendo informada por Downing Street sobre as condições de saúde do primeiro-ministro. 

Reações

A notícia da internação de Johnson foi recebida com espanto pela classe política britânica. Líderes de todos os partidos mandaram mensagens ao primeiro-ministro, desejando-lhe melhoras. “Estou orando pela recuperação rápida do premiê”, disse o prefeito de Londres, o trabalhista Sadiq Khan.

"Que notícia terrível. Todos os nossos pensamentos estão com Johnson e sua família neste momento difícil”, afirmou Keir Starmer, que substituiu Jeremy Corbyn como líder do Partido Trabalhista.

“Sinto muitíssimo a notícia de que Boris Johnson está na UTI. É muito preocupante. Minhas orações vão para ele e para sua noiva, Carrie Symonds. Que você se recupere logo, Boris”, escreveu no Twitter Ian Blackford, líder do Partido Nacionalista Escocês no Parlamento britânico. 

Líderes políticos de várias partes do mundo, assim como ex-líderes britânicos, também enviaram suas mensagens de rápida recuperação ao primeiro-ministro. "Todo nosso apoio a Boris Johnson, sua família e ao povo britânico nesse difícil momento. Espero que ele supere essa provação rapidamente", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron

"Meus pensamentos e orações estão com Boris Johnson e sua família enquanto ele continua a receber tratamento no hospital. Esse vírus horrível não discrimina. Qualquer um pode pegar. Qualquer um pode espalhar", escreveu a antecessora de Johnson, Theresa May

Para a especialista em saúde pública da Universidade de Edimburgo Linda Bauld, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, a admissão do primeiro-ministro na UTI demonstra quão indiscriminatório é o vírus e o quão sério o país deve levar a ameaça que ele impõe. "Qualquer pessoa em qualquer lugar, incluindo os mais privilegiados em nossa sociedade, pode ser afetada e ficar gravemente doente", disse ela.

Autoridades britânicas registraram nesta segunda-feira mais de 4 mil novos casos nas últimas 24 horas. O país tem 51,6 mil infectados e já relatou 5,3 mil mortes. Ao contrário de outros países europeus, como Itália e Espanha, que registram lentamente uma desaceleração da doença, o coronavírus ainda não chegou ao ápice no Reino Unido. /REUTERS, AFP, EFE e ANSA 

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