Inferno astral de Obama já ameaça sua popularidade

Agosto em Washington é conhecido como um mês do cão: um calor insuportável em uma cidade construída sobre um pântano. Para o presidente Barack Obama, agosto foi um mês especialmente ruim. Sua proposta de reforma do sistema de saúde, prioridade doméstica deste ano, foi trucidada em assembleias de eleitores ao redor do país. No Afeganistão, a chamada "Guerra de Obama", 51 soldados americanos morreram, recorde desde o início do conflito, em 2001. Os dois temas derrubaram sua popularidade, que chegou a 50%, depois de um pico de 76%, em fevereiro.

AE, Agencia Estado

06 de setembro de 2009 | 08h58

Com o fim do recesso parlamentar, Obama pretende deixar agosto para trás e mergulhar nas iniciativas que espera concluir este ano. Para isso, fará na quarta-feira um discurso para o Congresso sobre a necessidade da reforma do sistema de saúde americano. Discursos para as duas casas do Legislativo são raros e marcam momentos importantes. Bill Clinton fez um em 1993, também sobre a reforma do sistema de saúde, e George W. Bush fez outro após o 11 de Setembro.

A reforma de Clinton naufragou. Obama tenta evitar o paralelo com o ex-presidente, mas será necessário mais do que charme e oratória para acabar com seu "inferno astral". O presidente ainda enfrentará um caminho espinhoso em várias outras áreas, como na lei climática, na reforma do sistema financeiro, no orçamento e até na formação de sua equipe.

No debate sobre a saúde, Obama precisa conquistar os moderados sem decepcionar a esquerda. Para ganhar apoio de democratas moderados e, com sorte, um ou outro republicano, ele pretende tornar o seguro de saúde estatal uma opção: só será adotado se os planos privados não baixarem os preços ou não ampliarem a cobertura. Resta saber se isso será suficiente para convencer os moderados, que criticam o preço do plano - US$ 1 trilhão. Ao mesmo tempo, não se sabe se a esquerda de seu partido aceitará a ausência do plano estatal, que desfiguraria a reforma e tiraria o interesse em sua aprovação.

A polêmica já fez uma vítima: a lei climática, cuja discussão no Senado foi adiada para o fim de setembro. Com isso, Obama pode se ver obrigado a chegar de mãos vazias à conferência sobre meio ambiente de Copenhagen, em dezembro, o que seria um enorme retrocesso para sua agenda ambiental. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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