The Washington Post by Matthew Abbott
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Infestação de ratos força retirada em massa em prisões na Austrália

Austrália tem um problema com ratos e uma invasão em massa ocorre mais ou menos a cada década

Jennifer Hassan / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 08h00

WELLINGTON - Centenas de presos no Centro de Correções de Wellington, no Estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, estão sendo retirados às pressas do local enquanto oficiais correm para reparar os danos causados por ratos que roem cabos, correm sobre painéis do teto e se embrenham nas paredes do prédio.

O comissário dos Serviços de Correções de Nova Gales do Sul, Peter Severin, confirmou que um trabalho de reparos vital precisava ocorrer na cadeia, localizada a aproximadamente quatro horas de Sydney, junto de um trabalho de limpeza completo e revisão da infraestrutura da prisão.  

“A saúde, segurança e bem-estar da equipe e dos presos é nossa prioridade número um, então é importante que ajamos agora”, disse, enquanto cerca de 420 presos e presas se preparavam para serem realocados nos próximos dez dias, junto de pelo menos 200 membros da equipe. O estabelecimento não pode ser contatado para mais comentários.

Serviços de controle de pragas têm sido chamados para remover as criaturas mortas das paredes, que as autoridades dizem estar deixando um forte mau cheiro no ar.

A Austrália tem um problema com ratos. Uma praga, na verdade. Uma invasão em massa ocorre mais ou menos a cada década, causando estragos em comunidades e destruindo plantações e o estoque de fazendeiros que estão preocupados com o futuro.

Inúmeras criaturas correm desenfreadas pelo “cinturão de grãos” do leste do país, destruindo plantações, sabotando casas e forçando fazendeiros a criarem armadilhas improvisadas para segurar os roedores, que podem se reproduzir em uma velocidade alarmante.

Alguns fazendeiros dizem terem pego entre 500 e mil dos bichos em uma única noite.

Moradores contaram ao Washington Post nas últimas semanas que os ratos estão morrendo e que o fedor está espalhado em uma grande área.

Kevin Corcoran, assistente comissário de correções em custódia, disse que os oficiais também usariam a oportunidade para examinar como proteger a prisão de futuras invasões de roedores da melhor forma possível.

Enquanto membros da equipe trabalharão em outras prisões na região até que o prédio esteja em uma condição melhor, alguns australianos contaram a veículos locais que eles não acham que presos devam ser realocados enquanto uma limpeza profunda acontece.  

“Não é um resort de férias, eles estão lá por um motivo”, um homem falou ao canal de TV Prime7 News, enquanto outros ressaltaram que a infestação impõe um risco à saúde.


E os ratos realmente têm sido relacionados a problemas de saúde.

No início do ano, hospitais em Nova Gales do Sul relataram infestações, com vários pacientes sendo atacados pelos ratos, forçando-os a procurar (mais) tratamento médico. Na época, um porta-voz de saúde do Estado contou ao canal ABC News que relatos de moradores ou pacientes recebendo pequenas mordidas haviam sido feitos.

Oficiais também identificaram uma doença rara porém contagiosa conhecida como coriomeningite linfocítica na região e a relacionaram ao fluxo de ratos, que podem hospedar e transmitir o vírus. Sintomas da doença incluem febre, dores no corpo e vômitos.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, pessoas que são mordidas por ratos, lidam com eles ou são expostos a seus dejetos estão mais suscetíveis a contrair a doença, que é descrita como sendo “transmitida por roedores”.

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