Infiel será demitido na China

Desde que a China abriu suas portas ao comércio exterior, no fim da década de 70, aumentou consideravelmente o número de "segundas esposas" no país, apesar de tratar-se de um ato ilegal. "Numa sociedade em que se pode enriquecer da noite para o dia, ter uma jovem amante transformou-se em algo imprescindível para provar aos outros seu êxito pessoal", comentou um jornal local. Nesse contexto, a empresária Pauline Ngan, da cidade de Shenzhen, passou a exigir, desde 1992, quando abriu as portas de sua empresa, que seus empregados sejam fiéis a suas esposas - e sob a ameaça de serem despedidos imediatamente. "Não posso aceitar que maridos enganem suas mulheres, que se sacrificam cuidando de suas famílias. E eu, como empresária, exijo que os empregados se concentrem em seu trabalho e não se distraiam com essas amantes", disse. Todos os funcionários de Ngan aceitaram a medida punitiva. E apenas dois foram despedidos por essa razão nesses 10 anos. Ngan se encarrega de transmitir a norma pessoalmente, tanto aos homens que trabalham na sua companhia como para as suas esposas. Ela criou também um e-mail onde os funcionários podem denunciar suspeitas de que seus companheiros de trabalho tenham amantes. "Se as enganam, como é que posso ter certeza que não enganam a mim?", conclui a empresária que afirma ter um excelente relacionamento com seu marido. Duas mulheres e dois filhosÉ comum no país que empregados bem colocados, sobretudo os que viajam constantemente a negócios, tenham uma mulher e um filho e também uma amante e um segundo filho - apesar de esta criança não estar protegida legalmente por ser ilegítima. Uma estrangeira residente em Pequim conta a situação constrangedora a que foi submetida ao contratar um rapaz para sua empresa: "Ele chegou aqui com uma mulher e um filho. O garoto o chamava de papai e a ela de mamãe. Minutos depois, ele recebeu uma ligação de sua verdadeira mulher, que não acreditava que ele estava trabalhando". O homem imediatamente pediu que a empresária pegasse o telefone e explicasse à mulher que ele estava sozinho e trabalhando em Pequim. "Me neguei a entender o que estava acontecendo."

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