Inflação na Argentina foi de 164% nos últimos 5 anos, diz fundação

Relatório apresentado pela Libertard y Progreso analisa índices desde o início do primeiro mandato de Cristina Kirchner; já os dados oficiais indicam resultado inferior a 45%

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2013 | 13h32

BUENOS AIRES - A Fundação Libertard y Progreso anunciou em um relatório que a inflação acumulada nos últimos cinco anos na Argentina, desde o início do primeiro mandato da presidente Cristina Kirchner, foi de 164%. De acordo com os dados oficiais, elaborados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a inflação argentina acumulada nesse período sequer alcançou os 45%.

 

Os economistas da fundação afirmam que o governo não pode argumentar que a alta de preços é definida pelos custos internacionais, já que desde 2007 os preços do petróleo caíram 6%, enquanto que o trigo teve uma queda de 2%. Além disso, destacam que o índice de commodities da Dow Jones e da UBS aumentou 23% nessa meia década.

 

"Se a inflação estivesse determinada por fatores externos, deveríamos esperar que não atingissem apenas a Argentina, mas também todos os países da região. No entanto, não foi isso que aconteceu", sustenta o relatório.

 

Maquiagem. Segundo os analistas econômicos, a inflação argentina é maquiada desde que o Indec ficou sob intervenção federal em janeiro de 2007, logo após o fracasso da política do então presidente Néstor Kirchner (2003-2007) de congelar os preços.

 

Os analistas econômicos sustentam que o Indec anunciaria nos próximos dias que o ano 2012 foi encerrado com uma inflação "oficial" inferior a 10%. No entanto, consultorias econômicas, associações de defesa dos consumidores e sindicatos sustentam que na realidade, 2012 teve uma inflação "real" superior a 25%.

 

Para 2013 o governo calcula uma inflação de 10,8%, enquanto que os economistas preveem que o ano que inicia terá uma escalada de 27% ou 28%.

 

Mas, enquanto isso, segundo uma pesquisa elaborada pela Universidade Di Tella, os argentinos possuem expectativas inflacionárias mais elevadas, pois temem que nos próximos 12 meses a alta de preços supere os 30%.

 

Golpistas. No entanto, durante sua recente visita à Universidade de Harvard, EUA, a presidente Cristina Kirchner menosprezou os cálculos das consultorias e disse que se o país tivesse uma inflação de 25% "a Argentina explodiria".

 

A presidente e seus ministros e secretários aplicam os adjetivos de "desestabilizadores" e "golpistas" para os economistas, sindicalistas e políticos que contradizem os índices oficiais de inflação.

 

As consultorias econômicas estão proibidas de divulgar suas estimativas próprias de inflação sob o risco de serem multadas pelo secretário de comércio interior, Guillermo Moreno. Por esse motivo, nos últimos dois anos os parlamentares da oposição elaboram um índice alternativo, com base nos cálculos das principais consultorias da city financeira portenha.

 

 

 

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