REUTERS/Marco Bello
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Inflação na Venezuela chegará a 10.000.000% em 2019, diz FMI

Órgão afirma que o índice deve chegar a 1.350.000% este ano, enquanto a Assembleia Nacional estima que atingirá 4.300.000%

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 19h38

CARACAS - O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta segunda-feira à noite que a inflação na Venezuela deve chegar a 10.000.000% em 2019. Para este ano, o órgão prevê que o índice atingirá 1.350.000%. Por sua vez, a Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, controlada pela oposição, informou nesta segunda-feira, 8, que a inflação de 2018 no país encerrará o ano em quase 4.300.000%, um dado que supera as previsões mais pessimistas até agora.

De acordo com o relatório que o FMI divulgou nesta segunda-feira à noite, Perspectivas da economia mundial, “estima-se que a hiperinflação piore rapidamente na Venezuela, impulsionada pelo financiamento monetário de um déficit de grande escala e a perda da confiança na moeda”.

O deputado e economista Ángel Alvarado afirmou que a AN prevê que a inflação alcance os 4.292.102% no fim de dezembro. Ele também afirmou que apenas em setembro o indicador chegou a 233,3%, o que seria a cifra mais alta já registrada na Venezuela em um único mês em toda a história do país.

A alta diária dos preços em setembro ficou um pouco acima de 4%, número similar ao observado no mês de agosto. A comparação anualizada - de setembro de 2017 a setembro de 2018 -, indica uma inflação de 488.865% e o acumulado neste ano chegou a 115.824%.

Segundo Alvarado, os dados são “horríveis”. Em entrevista na capital venezuelana, o deputado opositor Juan Andrés Mejía afirmou que a inflação no país “tende a aumentar ainda mais”. Ele recomendou que seus compatriotas comprem “algum ativo” com o dinheiro que tenham guardado nos bancos.

“Não deixem seu dinheiro no banco para que ele não perca seu valor”, afirmou Mejía. Para o parlamentar, o aumento da base monetária - o volume de dinheiro criado pelo Banco Central da Venezuela (BCV) - em 173,4% no último um mês, assim como as recentes decisões do governo de Nicolás Maduro no âmbito econômico, são os principais motivos para o alto índice de inflação.

“A situação não vai mudar se não houver uma alteração do modelo, se não houver uma mudança de quem dirige a economia”, completou Mejía.

Contenção

A Assembleia Nacional informa as cifras da inflação no país desde janeiro de 2017, já que o BCV deixou de publicar o índice há mais de dois anos. Em setembro, o Parlamento avaliou que o pacote econômico implementado por Maduro “fez disparar a hiperinflação”.

A Venezuela, país com as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, sofre com uma severa crise econômica e de desabastecimento, que fez centenas de milhares de pessoas fugirem, principalmente para países vizinhos como Colômbia, Brasil, Chile, Equador e Peru.

Recentemente, o presidente chavista lançou um pacote de medidas para tentar tirar o país do caos, mas analistas e opositores dizem que as medidas adotadas por Maduro, que incluem o congelamento dos preços de itens da cesta básica e uma reforma fiscal, não atacam a raiz dos problemas da economia venezuelana. / EFE e AFP

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