Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

Inflação na Venezuela foi de 180% em 2015

No dia seguinte ao anúncio de medidas por Nicolás Maduro, BCV divulga números

O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2016 | 20h03

CARACAS - Um dia depois do pacote econômico anunciado pelo governo chavista, o Banco Central venezuelano fez uma rara divulgação de números oficiais da situação do país. A inflação em 2015, segundo Caracas, foi de 180,9% e o PIB teve uma contração de 5,7%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta para este ano inflação de 700% no país. 

Maduro anunciou na noite de quarta-feira o primeiro aumento da gasolina em 20 anos. O litro do combustível agora custará 1 bolívar na octanagem mais baixa e 6 bolívares na mais alta. Antes, custava 6 centavos de bolívar - um valor que a inflação tornou praticamente irrisório.

Maduro também desvalorizou o câmbio usado pelo governo na venda de dólares em 37% e simplificou o modelo de bandas cambiais. O chavista ainda alterou a tabela de preços congelados, reajustou o salário mínimo em 20% e anunciou um plano contra a evasão fiscal e o contrabando de alimentos. 

Ontem, os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz Óscar Arias, ex-presidente da Costa Rica, e Lech Walesa, da Polônia, visitaram a Assembleia Nacional venezuelana e criticaram o modelo econômico bolivariano. O plano foi criticado por líderes opositores e entidades patronais.

“A Venezuela atravessa atualmente uma emergência humana que é consequência direta de políticas públicas equivocadas e a saída para essa crise é abandonar esse modelo econômico e não aprofundá-lo”, disse Arias. “A Venezuela pediu uma mudança profunda de rumo nas últimas eleições e só conseguirá isso com a ação conjunta do setor público e privado.”

Ainda de acordo com o ex-presidente costa-riquenho, a medida mais urgente a ser tomada pelo governo é o fim do controle cambial, que, na avaliação dele, enriquece poucos e empobrece muitos. “Se em algum momento a revolução bolivariana foi julgada por suas intenções, agora devemos julgá-la por seus resultados”, acrescentou. “É cinismo falar sobre conspiração e guerra econômica para quem foi testemunha dos erros e abusos das autoridades.”

Para Lech Walesa, a Venezuela está deixando de aproveitar seus vastos recursos naturais por abandonar o livre mercado. “Não há coisa pior que abandonar o livre mercado”, disse o ganhador do Nobel. “Não prendam mais as pessoas e trabalhem porque a sabedoria depende de união.”

Ontem, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) lembrou o aniversário de dois anos de prisão do líder do partido Voluntad Popular, Leopoldo López. No começo da semana, a Assembleia aprovou uma Lei de Anistia, que deve ser vetada por Maduro.

“Não é nem mais do mesmo. É pior que o mesmo”, disse o deputado Henry Ramos Allup, presidente do Legislativo. “Não vai resolver nada aumentar a escassez de alimentos e remédios. Eles preferem que o país morra de fome a reconhecer que sem ajuda internacional não sairemos do buraco.”

A Fedecámaras, a principal entidade patronal da Venezuela, disse que o governo faz a leitura incorreta da crise econômica e as medidas anunciadas são insuficientes para corrigir os desequilíbrios. “Nos reuniremos nos próximos dias para dar sugestões”, afirmou em comunicado a entidade. / AFP e EFE

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