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Inflação na Venezuela obriga população a pesar dinheiro

Volume de dinheiro em circulação no país aumentou 130% em 2015; no mercado negro, moeda caiu 65% só neste mês

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2016 | 05h00

A resistência das autoridades venezuelanas em emitir notas de valor maior obrigou os venezuelanos a trocar as carteiras por bolsas de dinheiro para usar nas transações do dia a dia. A situação chegou a tal ponto que alguns consumidores pesam a quantidade de notas em vez de contá-las, para poupar tempo. A inflação deve fechar o ano em 368%, segundo estimativas.

Depois de anos em que a inflação reduziu a centavos o valor da maior nota do país, a de 100 bolívares, o governo finalmente se prepara para colocar em circulação bilhetes de 500 e 5.000 bolívares, que serão lançados no mês que vem. Segundo o governo, notas de mil, 2 mil, 10 mil e 20 mil bolívares, passarão a circular no primeiro semestre.

O volume de dinheiro em circulação na Venezuela aumentou 130% no ano passado, de acordo com os últimos dados disponíveis do Banco Central do país. No mercado negro, onde um dólar é vendido a um valor seis vezes maior do que a taxa legal de 662 bolívares, a moeda caiu 65% só neste mês. As novas notas terão desenho similar às atuais, mas com cores diferentes.

As reservas internacionais, que registraram a maior queda em 14 anos, em torno de US$ 10,9 bilhões, provavelmente não cairão muito mais. O declínio do valor da moeda, a inflação e a redução do poder de compra do venezuelano só serão contidos quando o governo registrar mais dólares entrando na economia como resultado de preços mais altos do petróleo e outras atividades econômicas. 

O governo venezuelano aplicará a lei sobre a emissão das novas notas, sancionada pelo presidente Nicolás Maduro na segunda-feira, para autorizar o uso maior de dólares no setor de turismo. Além disso, as lojas duty free nos aeroportos começarão a taxar e vender produtos em dólar para venezuelanos que saem de viagem e para visitantes estrangeiros. / BLOOMBERG 

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