Influência britânica é base de problemas que criaram revolta

Dificuldades no Bahrein aumentaram após pactos com a Grã-Bretanha que tornaram país um protetorado europeu

Solly Boussidan, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

Poucas pessoas sabem claramente distinguir ou encontrar no mapa o minúsculo Reino do Bahrein, famoso principalmente pelo Grande Prêmio de Fórmula 1, que o país organiza anualmente.

O pequenino país árabe é na realidade uma ilha de pouco mais de 750 quilômetros quadrados em pleno Golfo Pérsico e a apenas 12 quilômetros de distância da influente Arábia Saudita, que adere firmemente aos princípios sunitas e wahabitas do Islã, e a qual o Bahrein é conectado por um dos maiores feitos da engenharia moderna - a Ponte Marinha Rei Fahd.

A poucos quilômetros ao norte da ilha se estende outro importante ator geopolítico local - a República Islâmica do Irã, ferrenhamente xiita, grande opositora dos sauditas e com fortíssimas aspirações ao posto de potência islâmica global.

Essa breve visão da posição geográfica do Bahrein no mapa-múndi é esclarecedora o suficiente para explicar parte das pressões e dos problemas enfrentados pelo minúsculo reinado rico em petróleo, gás e com uma cultura milenar na coleta e exportação de pérolas.

As complicações, no entanto, aprofundaram-se ao longo da história, com a ilha sendo considerada parte do Império Persa (atual Irã) até o século 18 e com o Irã somente desistindo de seu domínio sobre o Bahrein em 1970 - o legado para o país foi uma população com mais de 90% de aderentes xiitas do Islã.

As dificuldades aumentaram ainda mais quando o país adotou uma série de tratados especiais com a Grã-Bretanha, que efetivamente tornou a ilha árabe em um protetorado europeu.

Os britânicos acabaram por ceder o poder na forma de uma monarquia absolutista ao clã sunita dos Al-Khalifa, originários do Kuwait, criando as bases para a agitação e problemas que persistem no país pelas últimas quatro décadas, que culminaram com os sangrentos protestos da Praça da Pérola, inspirados pelas revoltas árabes registradas na região desde o começo do ano.

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