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Influência chinesa mina eleição em Hong Kong

Casos de corrupção assolam ilha devolvida pelos britânicos em 1997; dois candidatos na votação do próximo domingo têm simpatia de Pequim

Cláudia Trevisan , ENVIADA ESPECIAL / HONG KONG

17 de março de 2012 | 22h29

Além da mão inglesa no trânsito, dos bondes de dois andares e da notória eficiência, Hong Kong costuma se diferenciar da China continental por um governo limpo e aparentemente livre de corrupção. Mas essa imagem começou a mudar com a atual disputa para escolha do executivo-chefe da ex-colônia britânica, atingida por uma sucessão de denúncias de irregularidades e dividida entre dois candidatos que têm a simpatia de Pequim.

A escolha do futuro governante da ilha de 7 milhões de habitantes ocorrerá no próximo domingo em um colégio eleitoral de 1,2 mil pessoas, majoritariamente alinhadas com a China e nomeadas por grupos profissionais e empresariais.

Depois de 156 anos de colonização britânica, Hong Kong voltou ao domínio de Pequim em 1997 com a promessa de que teria autonomia e manteria suas instituições intactas por 50 anos.

Analistas e representantes dos partidos pró-democracia, entretanto, afirmam que é crescente a influência chinesa na política e na economia locais e temem que ela leve à degeneração de instituições que caracterizam a ilha, como império da lei, liberdade de imprensa e de expressão e um governo livre de corrupção.

Também são céticos quanto à aplicação da promessa chinesa de que Hong Kong terá sufrágio universal em 2017 para escolha de seu executivo-chefe e em 2020 para o Conselho Legislativo. Os escândalos que marcam a atual campanha e a interferência de Pequim levaram alguns grupos pró-democracia a defender o cancelamento da "eleição" e a realização de outra disputa no dia 6 de maio, com novos candidatos.

Outros defendem o boicote ao processo e a adoção imediata de eleições diretas. Desde o início do mês, a organização Poder do Povo reuniu milhares de pessoas em duas manifestações que pediam o sufrágio universal e atacavam o caráter restrito do sistema de escolha do executivo-chefe de Hong Kong. "Participar da eleição é legitimar esse processo", afirmou o presidente do Poder do Povo, Christopher Lau, criticando a decisão de outros grupos do campo democrático de lançar a candidatura de Albert Ho, o terceiro nome na disputa, visto como inaceitável por Pequim. A China pode vetar o nome escolhido pelo colégio eleitoral.

"O atual processo perdeu a credibilidade e nenhum dos dois nomes que têm a aprovação de Pequim conseguirá o respeito da população de Hong Kong e de seus servidores civis", disse o membro do Conselho Legislativo e presidente do Partido Cívico, Alan Leong, que foi candidato do movimento pró-democracia em 2007. Leong propõe que os integrantes do colégio eleitoral votem em branco, o que forçaria a convocação de uma nova disputa em 42 dias, caso nenhum dos candidatos obtenha o mínimo de 601 votos necessários para vencer.

A primeira da sucessão de denúncias atingiu Henry Tang, preferido da elite empresarial e do magnata Li Ka-shing, homem mais rico de Hong Kong. Tang admitiu mês passado ter construído irregularmente um porão de 200 metros quadrados em casa, no qual há banheira de hidromassagem, aparelhos de ginástica, adega e uma sala de projeção de filmes. Em outubro, ele havia reconhecido um relacionamento extraconjugal e admitido implicitamente ter uma filha ilegítima.

A obra foi realizada no período em que Tang ocupava o segundo cargo mais importante da administração local. O tropeço foi recebido com fúria por pessoas que se espremem em apartamentos minúsculos em uma das regiões mais densamente povoadas do mundo.

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