Influência de Cuba divide venezuelanos

O convite feito pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que o veterano comandante da Revolução Cubana Ramiro Valdés seja o novo "czar do apagão" na Venezuela desatou ontem uma enxurrada de críticas e protestos no país. O convite é feito num momento em que a presença cubana em setores da administração pública, do governo e até das Forças Armadas venezuelanas está em evidência e se tornou o centro de um amplo debate no país.

AE, Agencia Estado

06 de fevereiro de 2010 | 11h50

Valdés, que é ministro de Informática e Telecomunicações em Cuba, estará, na Venezuela, à frente de uma comissão técnica para resolver o problema da crise energética. Nos últimos meses, o governo Chávez está adotando em diversas regiões da Venezuela uma política de racionamento que inclui cortes de eletricidade de até oito horas.

"Não dá para entender como o ministro de um país onde os apagões são crônicos há muitos anos contribuirá para a solução do problema na Venezuela", disse o cientista político venezuelano Omar Noria, da Universidade Simon Bolívar. "A vinda de Valdés não faz sentido e é natural que cause desconfiança." Ainda mais em um momento de grandes animosidades políticas, no qual os estudantes têm saído às ruas para protestar contra a falta de energia e a suspensão das transmissões da TV a cabo RCTV.

"A chegada de Valdés na realidade servirá para reforçar o aparato repressivo", alertava ontem o jornal El Universal, de Caracas, citando o jornalista independente cubano Guillermo Fariñas, que conheceu Valdés quando ele chefiava a polícia secreta da ilha. "Ele seria a pessoa certa para garantir, do ponto de vista repressivo, a estabilidade do governo", opinou Fariñas. "O convite é uma ofensa para os venezuelanos, em particular para os profissionais da área", acrescentou o presidente do Colégio de Engenheiros da Venezuela, Enzo Betancourt. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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