Influência de Putin enriquece velhos amigos

'Capitalismo de compadres' favoreceu aliados, que agora interferem na economia russa, diz 'NYT'

SÃO PETERSBURGO, RÚSSIA, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2014 | 02h01

Antigos aliados e amigos particulares do presidente russo, Vladimir Putin, tornaram-se ao longo dos anos banqueiros bilionários, que influenciam setores estratégicos da economia da Rússia e ajudam o líder a manter-se no poder com punhos de ferro, revelou reportagem do New York Times.

A publicação americana citou o exemplo do Banco Rossiya, uma pequena instituição que acumulou grandes negócios estatais e foi um dos alvos das sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE). O banco foi colocado na lista de sanções por seu status privilegiado, que o governo Barack Obama qualifica como "banco pessoal" do grupo de influência de Putin.

Fundado e administrado por um dos aliados mais próximos do presidente russo e amigo da época em que vivia em São Petersburgo, o Banco Rossiya é, segundo o NYT, o símbolo da prática de "capitalismo de compadres" adotada por Putin.

Um dos menores bancos da era soviética, o Rossiya, por meio da furtiva expansão apoiada pela generosidade do Estado, acumula ativos atualmente estimados em US$ 11 bilhões.

A instituição controla um vasto império com tentáculos pela economia do país, incluindo uma grande participação no mais poderoso conglomerado privado de comunicação. Segundo o New York Times, o conglomerado é um "instrumento-chave do poder" do Kremlin para moldar a opinião pública.

Presidente e maior acionista do Rossiya, Yuri Kovalchuck, um físico de formação, às vezes é chamado de 'Rupert Murdoch" da Rússia por seu papel como arquiteto dos interesses de mídia do banco. Outros acionistas do banco incluem alguns dos homens mais ricos do país, o filho de um primo de Putin e até mesmo um antigo amigo de São Petersburgo.

"Como os bancos vão atravessar os atuais tempos de sanções poderá ser um barômetro sobre se a pressão econômica é suficiente para fazer Putin retroceder em um momento em que os países vizinhos, especialmente os dos Bálcãs, estão cada vez mais preocupados com a agressividade recente da Rússia", afirmou o jornal. O Kremlin nega a informação de tem dispensado um tratamento especial para amigos do presidente Putin. / THE NEW YORK TIMES

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