Influência iraniana é o maior problema do Oriente Médio, diz Shimon Peres

O vice-primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, afirmou nesta segunda-feira que o Hezbollah está operando sob o controle do Irã e não pode ser derrotado somente através da "força militar". Segundo Peres, o controle iraniano deve ser visto como uma ameaça política regional.Peres, que foi líder do Partido Trabalhista e ocupou o cargo de primeiro-ministro duas vezes, alegou durante uma reunião do Conselho de Segurança que o órgão da ONU tomou o primeiro passo para uma paz sustentável na região ao aprovar uma resolução dando ao Irã um prazo, até dia 31 de agosto, para que suspenda o enriquecimento de urânio. O ministro israelense disse que as táticas de Israel incluem o deslocamento do Hezbollah do sul do Líbano, o impedimento de lançamentos de mísseis conta o norte de Israel e a libertação dos dois soldados israelenses capturados pelo grupo libanês no dia 12 de julho, incidente que resultou na ofensiva de Israel. "Eu concordo com o presidente (Bush) que devemos ir além. Temos que observar o que pode ser atingido, o que é mais durável, mais sustentável, através de uma análise mais profunda e ampla do Oriente Médio", afirmou.Peres descreveu que o quarteto Síria, Irã, Hamas e Hezbollah "age com apoio do Irã". "Se eles vencerem será uma catástrofe", acrescentou.O vice-ministro acredita que a prioridade do governo iraniano é produzir uma arma nuclear e que a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança é o "primeiro passo em direção a uma posição unificada contra este potencial."Ele também mencionou que a Síria manteve uma posição dúbia ao criticar a ação militar de Israel enquanto acolhe o líder do Hamas, Khaled Meshal, em Damasco e fornece armas ao Líbano. Peres afirmou que as duas atividades devem parar.Qana, dez anos depoisPeres, que foi primeiro-ministro durante uma ofensiva na qual civis libaneses foram mortos na cidade Qana, em 1996, disse que Israel trabalha para evitar as mortes de civis, apesar do ataque aéreo que matou pelo menos 56 pessoas na mesma cidade, no domingo."Quando sabemos que há uma base de foguetes ou mísseis, observamos o mapa e a primeira consideração é, o quão longe estão prédios de civis e escolas. Nunca bombardeamos uma base que é próxima de uma escola ou mesquita, ou mesmo residência particulares", afirmou, acrescentando que o Hezbollah insiste em usar escudos humanos. "E dissemos ao povo libanês: ou deixem suas casas, ou livrem-se dos mísseis", alegou. Sobre o bombardeio contra uma base de observação da ONU perto da fronteira israelense com o Líbano, que deixou quatro funcionários mortos, Peres disse que "nenhum israelense ousaria ter um funcionário da ONU como alvo". "Mas, na guerra há erros. Infelizmente, e o maior erro é a guerra em si", concluiu.

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