Influente líder tibetano no exílio pede fim de autoimolações

Um dos principais líderes budistas exilados do Tibete, o Karmapa Lama, apelou nesta quarta-feira para que os tibetanos na China não coloquem fogo em si mesmos, dizendo que esperava que eles encontrassem maneiras mais construtivas para fazer avançar a causa.

REUTERS

09 de novembro de 2011 | 12h38

O Karmapa Lama fugiu do Tibete em 2000 e vive no exílio, com o Dalai Lama, em Dharamsala, no norte da Índia, o centro do autoproclamado governo tibetano no exílio.

O Karmapa Lama disse que os 11 tibetanos que se incendiaram este ano na província de Sichuan, no sudoeste chinês, foram "corajosos", agindo em desespero "contra a injustiça e repressão em que vivem".

"A situação é insuportavelmente difícil, mas em situações difíceis precisamos de maior coragem e determinação", afirmou ele em um comunicado enviado por email.

"Cada relato de autoimolação do Tibete encheu meu coração de dor", disse Karmapa Lama.

"No ensinamento budista, a vida é preciosa. Para alcançar qualquer coisa que valha a pena nós precisamos preservar nossas vidas. Nós tibetanos somos poucos em número, então cada vida tibetana é valiosa para a causa do Tibete."

A China já culpou o Prêmio Nobel da Paz Dalai Lama pelos jovens que se queimaram e repetiu a linha de governo de que os tibetanos são livres para praticar sua fé budista.

O Dalai Lama, a quem a China acusa de defender o separatismo violento, levou no final de outubro centenas de monges, monjas e leigos tibetanos em oração na região onde vive na Índia para lamentar aqueles que se queimaram até a morte.

O Dalai Lama, que fugiu do Tibete em 1959 após uma revolta fracassada contra o domínio chinês, nega que defenda a violência e insiste que quer apenas uma autonomia real para a sua terra natal.

O Karmapa Lama apelou à China para "atender demandas legítimas dos tibetanos e para entrar em um diálogo significativo com eles em vez de brutalmente tentar alcançar o seu silêncio".

As imolações aconteceram em duas partes bastante tibetanas de Sichuan -- Ganzi e Aba -- onde muitos se vêem como membros de uma região tibetana maior, que abrange a Região Autônoma Tibetana oficial e outras áreas em toda a vasta região montanhosa do oeste da China.

(Reportagem de Ben Blanchard)

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