Informação falsa citada por Bush pode ter vindo da Itália

A Itália poderia ser a fonte da informação, difundida por Washington e Londres, de que Saddam Hussein tentou comprar urânio na África, disse o presidente de um comitê parlamentar de inteligência. O governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi negou que os serviços de espionagem italianos tenham transmitido "documentos" sobre o assunto. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha utilizaram a informação sobre a suposta tentativa iraquiana de comprar urânio em Níger para sustentar seus argumentos a favor da guerra. No entanto, ficou demonstrado que os documentos utilizados eram falsos. Enzo Bianco, titular do comitê italiano, não negou a possibilidade de a informação ter sido entregue de maneira informal. "É possível, não descarto (tal possibilidade)", disse ele, depois de uma reunião do comitê com um alto funcionário do governo. A imprensa da Itália tem afirmado que a espionagem italiana entregou a documentação que gerou tal argumento. Em resposta, o chanceler Franco Frattini afirmou hoje: A Itália "nunca, nunca entregou documentos relacionados com este fato aos serviços de inteligência de outras nações". O subsecretário de gabinete Gianni Letta, um dos assessores principais do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, reiterou a posição do governo durante seu informe ao comitê de inteligência. Mas, segundo Bianco, que é da oposição, se recusou a mostrar os documentos do serviço de espionagem.

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