Informações do Mossad levaram Bush a pedir saída de Arafat

Quando exigiu a remoção de Yasser Arafat, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, já havia recebido informações secretas segundo as quais o líder palestino teria aprovado o pagamento de US$ 20 mil às Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo que assumiu a responsabilidade por um atentado suicida em Jerusalém. A informação foi dada por uma fonte do alto escalão do governo norte-americano. Bush já estava inclinado a pedir a saída de Arafat no momento em que se intensificaram os atentados contra alvos israelenses. Porém, o Mossad - serviço secreto de Israel - repassou a Bush informações que supostamente provam a ligação da Autoridade Palestina com os atentados, inclusive uma tentativa de transporte de armas iranianas para militantes palestinos.Condoleezza Rice, a conselheira de Segurança Nacional de Bush, assumiu uma posição rígida contra os ataques anti-Israel e acusou Arafat de compactuar com os terroristas. Funcionários norte-americanos confirmaram nesta quarta-feira que o pagamento às Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa soma US$ 20 mil.ApoioUma viagem ao Oriente Médio do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, foi suspensa e os preparativos para a realização de uma conferência de ministros de Relações Exteriores foram paralisados. No Canadá, durante uma reunião de líderes do G-8, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, mostrou-se solidário ao presidente norte-americano. "Precisamos de uma liderança com a qual possamos negociar, que seja séria sobre a paz e que resista e rejeite totalmente o terrorismo", disse.Em um encontro com o primeiro-ministro canadense na terça-feira para abrir a conferência do G-8 em Kanasaskis (Alberta, Canadá), Bush disse que "os palestinos precisam de uma liderança, uma liderança eleita". Porém, o presidente norte-americano descarta a hipótese de negociar com Arafat, mesmo que ele seja democraticamente reeleito presidente da Autoridade Palestina. "Fui bastante claro: é preciso haver três mudanças", disse Bush, aludindo a seu discurso de segunda-feira, quando pediu a saída de Yasser Arafat.Diplomatas norte-americanos estão conversando com governos árabes em um esforço para determinar os próximos passos de Washington. Powell organizou uma campanha de alto nível com vistas ao mundo árabe na qual enfatiza que o governo norte-americano está pressionando Israel, principalmente no que diz respeito ao fim da ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.DefesaEm Kananaskis, Bush voltou a defender as incursões israelenses em territórios palestinos autônomos dizendo que "todos têm o direito de se defender". Mas acrescentou que "as partes devem trabalhar pela paz". Durante a cúpula do G-8, Bush terá mais oportunidades de solicitar apoio junto a outros líderes de países industrializados. Mas isto não será fácil. Os europeus não apóiam Israel de forma tão incondicional quanto os Estados Unidos e defendem negociações com Arafat, pelo fato de ele ser o presidente da Autoridade Palestina.Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores de Israel enviou aos Estados Unidos seu conselheiro legal, Alan Baker, para reunir-se em Washington com funcionários do Departamento de Estado e membros do Congresso, para denunciar o que Israel diz ser campos de treinamento de militantes suicidas dentro dos campos de refugiados palestinos.Na Embaixada de Israel em Washington, Baker explicou a jornalistas que a Agência de Ajuda Humanitária das Nações Unidas (UNRWA, por suas iniciais em inglês) supervisiona os campos, mas eles são operados pela Autoridade Palestina. Ele lembrou que a ONU proíbe o uso dos campos de refugiados para atividades consideradas terroristas. "Queremos que as Nações Unidas se envolvam nas atividades humanitárias e educacionais" para ajudar a afastar os palestinos do terror, garantiu Baker.HamasOs movimentos fundamentalistas Hamas e Jihad Islâmica pronunciaram-se hoje contrários às eleições nos territórios palestinos sob pressão dos Estados Unidos. "As eleições são uma resposta precipitada às pressões norte-americanas", disse Mohammed Hindi, responsável político da Jihad Islâmica à imprensa internacional. As declarações foram feitas após o anúncio do ministro palestino Saeb Erekat de que eleições presidenciais e legislativas serão realizadas em janeiro.

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