Inglaterra abre inquérito sobre morte de Jean Charles

Três anos depois de o brasileiro JeanCharles de Menezes ser baleado em um metrô de Londres pelapolícia, que pensou que ele era um terrorista suicida, foiaberta na segunda-feira um inquérito sobre sua morte. O eletricista de 27 anos foi morto com vários disparos nacabeça, na estação de metrô de Stockwell, em 22 de julho de2005. No dia 7 do mesmo mês, houve uma série de ataquessuicidas na cidade e, no dia anterior, uma tentativa frustradade ataque. A polícia o confundiu com um dos quatro homens que haviamtentado repetir os ataques contra o sistema de transportes dacidade, nos quais morreram 52 pessoas. Depois de uma fase de audiências a testemunhas, cujaduração deverá ser de três meses, um júri decidirá se JeanCharles foi assassinado ilegalmente. O juiz de instrução Michael Wright disse às seis mulheres ecinco homens que estavam no Centro de Conferências Oval, no sulde Londres, que Jean Charles foi morto por dois oficiaisespecializados no uso de armas, mas não era um militantesuicida. "Deve estabelecer-se desde o começo da investigação, com amaior ênfase possível, que o senhor De Menezes não estavaassociado com bombas, explosões ou nenhuma forma deterrorismo", disse. Os resultados da investigação serão acompanhados de perto epodem gerar mais pressão para que Ian Blair, comissário doServiço Policial Metropolitano de Londres (SPM), renuncie. No ano passado, Blair resistiu aos pedidos de renúncia,depois que sua força foi declarada culpada por colocar opúblico em perigo. Neste mês, o funcionário negou um informe que indicava queele seria despedido até o fim do ano, dizendo: "A reportagemsobre minha morte é um exagero". Os familiares de Jean Charles se mobilizaram para que osoficiais sejam acusados de homicídio. No entanto, em dezembro, um órgão de controle da políciadisse que não seriam tomadas medidas disciplinares contra osquatro policiais de alta patente devido à morte do brasileiro,dizendo que eles não podiam ser considerados responsáveis peloserros que resultaram no tiroteio. Há um mês, o SPM recebeu uma multa de 175 mil libras pordesrespeitar regras sanitárias e de segurança, ao não protegero público. A Procuradoria Geral da Coroa decidiu, em 2006, que nãohavia provas suficientes para acusar ninguém pela morte de JeanCharles.

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