Inglaterra diz que Iraque quer construir bomba atômica

O presidente iraquiano Saddam Hussein intensificou a tentativa de obter materiais nucleares e já teria à disposição uma bomba atômica se não fosse as sanções impostas pelo Ocidente, afirmou o secretário do Exterior britânico, Jack Straw. Num artigo de opinião publicado hoje no Times, Straw disse que Saddam tem de abrir os programas de armas à inspeção internacional ou "arcar com as consequências".Seus duros comentários endossam os feitos pelo primeiro-ministro Tony Blair na semana passada. Blair e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, devem se encontrar em Washington no mês que vem para discutir uma possível ação contra o Iraque.Straw escreveu que Saddam é "único entre os tiranos do mundo" a ter a crueldade e a capacidade para empregar armas de destruição em massa. O Iraque está desenvolvendo mísseis balísticos capazes de transportar tais armas até alvos além do limite de 150 km imposto pelas Nações Unidas, denunciou Straw. Isso permitiria ao Iraque atingir países como os Emirados Árabes Unidos e Israel."Existe evidência da intensificação de esforços para a obtenção de material e tecnologia nucleares, e que este trabalho de pesquisa e desenvolvimento começou novamente: na verdade, sem os controles que impusemos, Saddam já teria agora uma bomba nuclear", avaliou.Straw disse ter evidência de que muitos complexos de armas danificados na Operação Raposa do Deserto, de 1998, foram reparados e a comunidade internacional tem de exigir que o Iraque permita que inspetores da ONU vistoriem os programas de armas."Não podemos deixar que Saddam mantenha para sempre uma arma apontada para a cabeça de seu próprio povo, de seus vizinhos e do mundo. Os intensos esforços diplomáticos vão continuar, e espero que eles alcancem nosso objetivo de remover a ameaça que as armas de destruição em massa do Iraque apresentam para a humanidade", afirmou."Mas se ele se recusar a abrir seus programas de armas para a devida inspeção internacional, ele terá que arcar com as consequências. Nenhuma decisão foi tomada, mas que ninguém, muito menos Saddam, duvide de nossa determinação".Alarmados com as duras palavras sendo usadas pelo governo em relação ao Iraque, 31 parlamentares britânicos assinaram hoje uma moção expressando "profundo desconforto" com a perspectiva de a Grã-Bretanha apoiar um ação militar dos EUA contra Saddam. Os legisladores, todos do Partido Trabalhista, de Blair, pediram parao primeiro-ministro considerar meios pacíficos para a retomada das inspeções de armas no Iraque.Eles concordaram com a visão do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de que ataques contra o Iraque no momento não seriam inteligentes, e pediram a Blair para "usar a influência da Grã-Bretanha com o Iraque a fim de conseguir um acordo para que prossigam as inspeções de armas das Nações Unidas".Por outro lado, seis legisladores do oposicionista Partido Conservador apresentaram uma moção apoiando uma possível ação militar contra o Iraque e pedindo para Blair a manifestar claramente seu apoio. As moções são simples manifestação de opinião, e não serão votadas na Câmara dos Comuns.

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