Matt Dunham/AP
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Inglaterra planeja encerrar bloqueio nacional contra a covid em dezembro

O país deverá adotar restrições mais severas do que antes em algumas regiões, para evitar a reinicialização do vírus e um novo bloqueio nacional, informou o gabinete do primeiro-ministro Boris Johnson

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2020 | 07h57

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, planeja relaxar as restrições contra o coronavírus durante o Natal para facilitar as reuniões familiares, segundo Downing Street, seu gabinete oficial.

O chefe do governo vai detalhar nesta segunda-feira, 23, seu plano para restabelecer um sistema de três níveis de restrições a partir de 2 de dezembro, quando as medidas de confinamento decretadas em toda a Inglaterra, em 5 de novembro, devem terminar. Contudo, o país deverá adotar restrições mais severas do que antes em algumas regiões, para evitar a reinicialização do vírus.

Johnson ordenou à Inglaterra um bloqueio de um mês de duração no início de novembro, depois que os casos de infecção e as mortes começaram a aumentar novamente, irritando empresas e alguns nomes do seu próprio partido político com as consequências econômicas.

Esse roteiro incluirá uma pausa em algumas das restrições sociais entre 22 e 28 de dezembro, embora o plano esteja aguardando a concordância de Johnson sobre um cronograma semelhante para todo o Reino Unido com os governos autônomos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, conforme revelado pela "Sky News".

Uma segunda onda de infecções começou a diminuir, mostram dados oficiais, mas os consultores científicos devem alertar nesta segunda-feira, 23, que as restrições regionais anteriores não foram longe o suficiente e que, por isso, medidas mais duras são necessárias para prevenir outro bloqueio nacional.

"O primeiro-ministro e seus assessores científicos estão certos de que o vírus ainda está presente - e sem restrições regionais ele poderia rapidamente ficar fora de controle novamente antes que as vacinas e os testes em massa fizessem efeito", disse uma porta-voz.

Johnson, que permanece isolado após ter estado em contacto com um deputado com resultado positivo para covid-19, "vai expor como as pessoas poderão ver os seus entes queridos no Natal", apesar de "ter ficado claro que este não será um período normal de férias ", indicou um porta-voz do Executivo.

A Grã-Bretanha sofreu o pior número de mortes na Europa e a contração econômica mais profunda de qualquer nação do G7, o que levou a duras críticas à forma como Johnson lidou com a pandemia.

O Reino Unido registrou 341 mortes por covid-19 e 19.875 infecções neste sábado, 21, em comparação com 20.252 infecções e 511 mortes relatadas no dia anterior.

Antes do último bloqueio, a Inglaterra havia sido colocada em três níveis, com as medidas mais duras impostas no norte da Inglaterra, onde o movimento era limitado e os bares eram forçados a fechar, a menos que vendessem refeições substanciais.

Os ministros anunciarão quais áreas serão colocadas em cada nível na quinta-feira, 26, com os legisladores podendo votar no sistema antes de entrar em vigor. As camadas serão revisadas.

A medida provavelmente encontrará forte resistência de alguns legisladores que argumentam que o país não pode se dar ao luxo de fechar lojas e hotéis novamente depois que os números do desemprego e da dívida aumentaram, e a produção econômica despencou 20% no segundo trimestre.

O governo argumentou que o vírus vai sobrecarregar hospitais e paralisar a economia se não for controlado. "Isso colocaria em risco o progresso que o país fez e, mais uma vez, arriscaria uma pressão insuportável sobre o NHS (sigla em inglês para Serviço Nacional de Saúde)", disse a porta-voz do governo.

O Partido Trabalhista de oposição disse que um pacote de apoio seria necessário para qualquer negócio que tivesse que fechar. / EFE e Reuters

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