Inglês da Al-Qaeda é condenado à prisão perpétua

O britânico Dhiren Barot, que no mês passado se declarou culpado de conspirar para perpetrar atentados terroristas nos Estados Unidos e no Reino Unido, foi condenado nesta terça-feira à prisão perpétua pelo tribunal de Woolwich (sudeste de Londres). Segundo o tribunal, Barot, um muçulmano de 34 anos, considerado terrorista vinculado à rede Al-Qaeda, deverá cumprir no mínimo 40 anos de prisão por conspirar para matar milhares de pessoas. Ao anunciar a condenação, o juiz Alexander Butterfield disse que, se os planos de Barot tivessem sido postos em prática, poderiam ter causado um massacre de "um nível colossal e sem precedentes". "Seu êxito não era simplesmente causar dano, pânico ou temor. Sua intenção era assassinar, e foi além. (O plano) estava pensado para atacar o coração da democracia", disse o juiz. "Se tivesse êxito, teria afetado milhares, milhões (de pessoas) de forma indireta, e diretamente os Estados Unidos e o Reino Unido", especificou. Em 12 de outubro, Barot se declarou culpado de conspirar para a realização de atentados nos EUA, onde pretendia atacar instituições financeiras, e no Reino Unido, onde tramava ataques químicos. O acusado planejava "explosões maciças" e sincronizadas, em particular contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em Washington, além da Bolsa de Nova York e do Citigroup, entre outros, de acordo com detalhes da conspiração apresentados no tribunal pela Promotoria. Além disso, Barot estava disposto a montar limusines com cilindros de gás e "bombas sujas" compostas de materiais radioativos e capazes de contaminar com radiação áreas extensas. O advogado Edmund Lawson, em representação da Promotoria, assinalou que "Barot foi membro e importante associado da organização terrorista Al-Qaeda, e encabeçou uma conspiração no país para provocar explosões letais, tanto aqui como nos EUA". "Uma conspiração que foi frustrada pela ação da polícia, que o deteve em agosto de 2004. O plano era realizar explosões maciças aqui e nos EUA. O principal alvo era matar centenas ou milhares de pessoas inocentes", acrescentou. De acordo com a Promotoria, Barot queria imitar os atentados de 11 de março de 2004 contra trens de Madri e achava que esses ataques "mereciam ser copiados, mais que qualquer outro". Os advogados do acusado insistiram em que ele não tinha em seu poder materiais para fabricar explosivos quando foi detido. O plano para explodir limusines estava contido em documentos assinados por Barot e achados no Paquistão, segundo a Promotoria. Barot foi detido junto com outros sete suspeitos, durante uma série de operações realizadas na Inglaterra. Ele foi acusado de conspirar com outras pessoas para assassinar e usar "materiais radioativos, gases tóxicos, produtos químicos e/ou explosivos para causar transtorno, temor e ferimentos" entre 1º de janeiro de 2000 e 4 de agosto de 2004.

Agencia Estado,

07 Novembro 2006 | 13h14

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