Ingleses discordam, mas ainda preferem Trabalhistas

O primeiro-ministro Tony Blair tem várias razões para sorrir nos últimos dias. Com as eleições nacionais na quinta-feira, os Trabalhistas estão liderando as pesquisas com 17% à frente da oposição. Se as atuais previsões se confirmarem, o governo deverá aumentar sua maioria total nas 650 cadeiras da Câmara dos Comuns em 10%, para cerca 200 cadeiras. Isso não significa que as pessoas na Inglaterra estejam universalmente enlevadas pelo trabalho que Blair tem feito. Levado ao poder há quatro anos em uma onda de euforia que acompanhou o fim dos 18 anos de governo conservador, o partido Trabalhista é acusado por muitas pessoas de ter falhado em preencher as expectativas, principalmente em questões de saúde, educação e transporte público. O partido também desenvolveu uma reputação de ser entusiasta demais sobre seu próprio poder, insensível com a dissidência e obcecado com o brilho de sua imagem. Boa parte dessa crítica está voltada para Blair, conhecido por suas maneiras afáveis. Mesmo muitos dos correligionários trabalhistas dizem que o primeiro-ministro foi irritantemente artificial. Mas para muitos britânicos, mesmo os decepcionados com os Trabalhistas, há algo pior do que o governo: a oposição dos conservadores. Ao tentar desenvolver uma campanha capitalizando o temor do país de perder sua identidade para uma Europa cada vez mais poderosa, os conservadores falharam em prestar atenção à palpável irritação do povo em relação aos problemas no sistema nacional de saúde, no sistema de educação e no setor ferroviário parcialmente privatizado, parcialmente público. Assim como não tentaram persuadir os britânicos a esquecer a decepção que pairava como uma nuvem sombria sobre o país nos últimos anos em que os Tories governaram. ?Ele tem uma maneira falsa, mas tem feito um bom trabalho?, disse Martin Butcher, funcionário do governo, sobre o primeiro-ministro. ?Qualquer coisa é melhor do que o que tivemos anteriormente.?

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