Ingrid pede ajuda a Lula com reféns

Ex-cativa das Farc quer campanha regional para soltar companheiros

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt pediu ontem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma campanha regional para apressar a libertação dos colombianos que ainda estão em mãos da guerrilha. "Agradeço não só o que ele (Lula) fez no passado, mas também o que vai fazer no futuro", afirmou Ingrid, sem dar detalhes sobre o que foi discutido com o presidente brasileiro. "Lula tem os melhores contatos com todos os presidentes da América Latina - pode falar com todos tranqüilamente e convocá-los", completou Ingrid, enquanto o presidente brasileiro preferiu ressaltar que o seu governo "não vai mover nenhum dedo sem a concordância do governo colombiano".Ingrid encontrou-se com Lula pela manhã, em São Paulo, e à tarde deu uma entrevista coletiva. A colombiana de origem francesa lembrou que durante boa parte dos seis anos em que esteve em cativeiro o tema "seqüestro" era tabu na Colômbia. Segundo ela, o processo que culminou na ação militar que a libertou foi resultado de uma mobilização "nacional e internacional", na qual o presidente brasileiro teve um papel de destaque, ao abordar o tema dos seqüestrados "discretamente, em reuniões privadas" e em público. A passagem pelo Brasil faz parte de um giro pela América Latina no qual Ingrid diz ter ouvido "propostas generosas" de vários presidentes para ajudar na libertação dos reféns. Ainda hoje há cerca de mil pessoas seqüestradas pelas Farc - 28 delas são reféns políticos. "Estou convencida de que esse é o último Natal que meus companheiros passarão em cativeiro", afirmou Ingrid. VIA DEMOCRÁTICAEm entrevista após a reunião com Ingrid, Lula ressaltou que as Farc só teriam alguma chance de chegar ao poder na Colômbia se apostassem "na democracia e na militância política": "Não se ganham eleições seqüestrando." A ex-refém também qualificou 2008, como "um ano de humilhações para as Farc", lembrando a morte dos líderes guerrilheiros Manuel Marulanda e Raúl Reyes e a libertação de muitos reféns. Ingrid descartou a possibilidade de concorrer à presidência ou a outro cargo público na Colômbia.

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