Dominic Lipinski/EFE
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Iniciativa Covax terá sucesso, mas países devem fazer mais

Cúpula dos líderes do G-20 é uma oportunidade para as maiores economias do mundo se unirem nocombate à pandemia

José Manuel Durão Barroso*, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2021 | 05h00

Muitos dos desafios que enfrentamos atualmente com relação à distribuição de vacinas para os países mais pobres estão sendo contornados por meio da generosidade de alguns, como os EUA e a União Europeia, com destaque para a França e a Alemanha. Mas, mesmo com toda a ajuda deste grupo de países, que vêm compartilhando muitas das doses que tinham em excesso, além de contribuições financeiras realmente importantes, é fato que persiste um problema fundamental de iniquidade e injustiça na distribuição global de vacinas contra covid-19.

A Covax, que foi criada pela Gavi, cujo conselho tenho a honra de presidir, já demonstrou que pode ajudar, e muito, na solução. Com o apoio de 193 governos, arrecadamos mais de US$ 10 bilhões em recursos e já distribuímos mais de 320 milhões de doses de vacinas para 144 países. E muito mais poderia ter sido feito se não fossem as restrições às exportações impostas por parte dos países produtores (algumas das quais ainda permanecem), a acumulação excessiva de doses nos países mais ricos, bem como a prioridade dada por alguns fabricantes aos países que pagavam mais pelas vacinas.

Muitos desses problemas estão em vias de solução e atualmente o mecanismo Covax está implementando sua fase mais intensa, na maior e mais complexa campanha de vacinação da história. E agora, com a entrega de vacinas acontecendo num ritmo mais acelerado, eu espero que a comunidade internacional se una, de forma solidária e responsável, em torno da visão de um mundo inteiramente protegido pelas vacinas contra essa terrível pandemia.

A cúpula dos líderes do G-20 é uma oportunidade para reforçar as relações internacionais e endereçar os desafios para se atingir uma maior equidade na distribuição das vacinas que, além de salvarem vidas, garantem a retomada da economia global.

Acredito que o Brasil, um país de dimensões continentais, que atualmente já atinge uma taxa de vacinação comparável aos países mais devolvidos do mundo, tenha condições de fazer doações de vacinas para países mais pobres a partir de 2022. Não podemos ter a ilusão de que a pandemia está controlada, quando na realidade poderá ressurgir e intensificar-se a qualquer momento, possivelmente com novas variantes, aumentando ainda mais a terrível perda de vidas humanas e o desastre econômico e social que tem causado.

* É PRESIDENTE DO CONSELHO DA GAVI, ALIANÇA GLOBAL DE VACINAS, 

EX-PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA (2004/2014) E EX-PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL (2002-2004)

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