Início de plano de segurança abranda violência em Bagdá

As forças americanas e iraquianas estão enfrentando pouca resistência na implantação de um novo plano de segurança em Bagdá, e conseguiram diminuir a violência na região, disse um porta-voz do governo da capital nesta sexta-feira.Com presença reforçada nas ruas de Bagdá, militares americanos e iraquianos atuaram na revista de residências e veículos. As medidas são parte de uma operação de segurança que é vista por muitos como a última chance de conter a violência sectária que castiga o Iraque. O porta-voz do governo de Bagdá Qassim Moussawi disse que apenas 10 mortos foram encontrados na capital, em contraste com o número médio diário que costuma ser de 40 a 50.O major Steven Lamb, porta-voz das forças americanas na capital iraquiana, disse que a ofensiva vai bem. "Eu não diria que há um alto nível de resistência. Ontem tivemos relativamente poucos incidentes, mas isso pode mudar hoje", afirmou. "É realmente cedo demais para dizer se isso vai ser um sucesso ou um fracasso. Mas até agora todos estão contentes." Lamb disse que houve ações em lugares sabidamente complicados, como a área xiita de Kadhimiya, o reduto sunita de Adhamiya, ou os bairros de Rusafa, Karrada e Rashid. O objetivo da operação é erradicar as milícias xiitas e os insurgentes sunitas dos seus redutos em Bagdá. Mas analistas militares dizem que muitos desses combatentes irregulares podem ter fugido da cidade ou se escondido até que a ofensiva militar esteja concluída. O presidente Jalal Talabani disse na quinta-feira que o clérigo radical xiita Moqtdada Al Sadr teria ordenado que os comandantes da sua milícia, o Exército Mehdi, deixassem o Iraque. Os EUA consideram essa milícia, que em 2004 se rebelou duas vezes contra a ocupação americana, como a maior ameaça atual à segurança iraquiana. Centenas de seus membros foram presos nos últimos meses. Lamb disse que não houve operações importantes na favela de Bagdá que leva o nome da família do clérigo, Sadr City. "Mas o foco geral do plano de segurança de Bagdá é conter a violência sectária. Independente de onde [a violência] começar, para lá iremos."O porta-voz do governo de Bagdá disse ainda que 107 famílias voltaram para suas casas em áreas sunitas, sem dar mais detalhes.Os militares americanos disseram que confiscaram inúmeras pistolas, rifles, AK-47 e outras armas pequenas.Chefe da Al-Qaeda feridoFontes do governo iraquiano disseram na noite de quinta-feira que o chefe da Al-Qaeda no Iraque, Abu Ayybu Al Masri, teria sido ferido por forças iraquianas quando rumava com alguns militantes para a turbulenta cidade de Samarra, ao norte da capital. Ainda segundo o funcionário do Ministério do Interior, Masri teria conseguido fugir. Duas outras fontes do ministério evitaram dar detalhes, mas afirmaram que um colaborador de Masri foi ferido no confronto. Os militares dos EUA disseram não ter como confirmar o caso, e a Al-Qaeda divulgou um comunicado desmentindo a informação divulgada pelo governo iraquiano. Masri, um egípcio, assumiu a liderança da Al-Qaeda no Iraque após a morte do militante jordaniano Abu Musab Al Zarqawi, vítima de um bombardeio norte-americano em junho de 2006. Washington oferece 5 milhões de dólares por sua captura ou morte. As autoridades iraquianas responsabilizam a Al-Qaeda pela destruição de uma importante mesquita xiita de Samarra, há um ano, o que desencadeou a atual onda de violência sectária entre sunitas e xiitas.

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