Inimigos lutam guerra psicológica

Moral do adversário vira alvo de ações dos dois lados

AP, Cidade de Gaza, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

Entre os pesados bombardeios israelenses e os intermitentes foguetes do Hamas, os dois lados em combate na Faixa de Gaza apostam em estratégias para enfraquecer o moral do inimigo. No jargão militar, israelenses e militantes islâmicos travam, para além dos combates de rua, a chamada "guerra psicológica".As ondas de uma rádio jihadista de Gaza, por exemplo, são invadidas diariamente durante uma hora com mensagens de Israel em árabe culpando o Hamas pela guerra no território. Nos "programas", a população é incitada a rebelar-se contra os fundamentalistas.Do outro lado, o Hamas afirmou ter conseguido transmitir mensagens nos rádios de soldados israelenses em Gaza ameaçando capturá-los e matá-los. O Exército de Israel, entretanto, disse desconhecer a ação. Em junho de 2006, o cabo Guilad Shalit foi capturado pelo Hamas e seu paradeiro continua desconhecido. O grupo tentou espalhar rumores de que teria capturado mais militares, mas, segundo Israel, houve apenas uma tentativa fracassada.Israel formou uma unidade de guerra psicológica há cerca de três anos. Nos combates com o Hezbollah, em 2006, caricaturas do líder do grupo, xeque Hassan Nasrallah, chegaram a ser despejadas por aviões no sul do Líbano. Desta vez, a Força Aérea de Israel jogou sobre a região de Rafah, sul de Gaza, panfletos dizendo aos civis que deixem o local e combatam o Hamas. Mensagens de texto em celulares e e-mails também teriam sido enviados."Já havíamos feito isso em outras guerras, mas agora pudemos dedicar mais tempo e forças para as operações psicológicas", disse Ephraim Kam, da Universidade de Tel-Aviv.O principal instrumento de propaganda do Hamas é sua emissora, a TV Al-Aqsa - não por acaso um dos primeiros alvos atingidos pelos bombardeios israelenses. O canal transmite mensagens em hebraico dizendo a israelenses para "escolher entre a paz que devolve direitos aos palestinos ou a guerra que esmagará os judeus".No dia 26, véspera do início dos bombardeios, tevês de Israel afirmaram que autoridades israelenses estariam dispostas a dialogar e o governo permitira a entrada de caminhões com ajuda humanitária. Tropas também foram retiradas da região fronteiriça. Assim, a aviação teria acertado centenas de membros do Hamas que continuaram nos prédios usados pelo grupo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.