Injeção letal pode causar dor nos condenados à morte

Segundo um estudo publicado pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), a injeção letal aplicada na execução de muitos condenados à morte nos EUA pode causar dor intensa no momento de agonia, apesar das afirmações em contrário de seus defensores. De acordo com a HRW, o cloreto de potássio, uma das três substâncias administradas nesse tipo de execuções nos EUA, é considerada pelos veterinários muito cruel para matar animais de estimação. O carrasco injeta primeiro uma substância que deixa o réu inconsciente, depois outra que o paralisa (brometo de pancurônio) e, finalmente, o cloreto de potássio, que faz com que o coração deixe de bater. O relatório acusa os encarregados das execuções de não dar os passos necessários para garantir que a morte aconteça sem dor. "Cada vez há mais provas de que presos podem ter sofrido uma dor extrema durante suas execuções. Isto não deveria causar surpresa, já que os organismos responsáveis não deram os passos necessários para garantir que a execução aconteça sem dor", afirma a Human Rights Watch. O relatório cita um caso em que foi aplicada uma agulha de maneira indevida em um réu, e outro em que um condenado sofreu convulsões, abriu os olhos e pareceu que tentava respirar enquanto morria. De acordo com a organização, o problema é que nos casos nos quais a anestesia falha, a substância paralisante pode impedir os condenados de expressarem a dor que sentem. Polêmica O relatório foi divulgado em um momento de uma crescente polêmica sobre esta forma de execução. Na Carolina do Norte, as autoridades de prisões executaram na sexta-feira passada um réu por injeção letal e, por ordem de um juiz, durante o processo estiveram controlando suas ondas cerebrais para garantir que não sofria dor. Em fevereiro, foi suspensa uma execução na Califórnia pela objeção de consciência de anestesistas que não queriam se responsabilizar que a morte do réu tinha sido sem dor. O Congresso deve discutir na próxima quarta-feira se autoriza um réu na Flórida a argumentar perante os tribunais desse Estado que sua execução mediante injeção letal seria um castigo cruel e desumano.

Agencia Estado,

24 Abril 2006 | 03h54

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