Atef Hassan/Reuters
Atef Hassan/Reuters

Inquérito culpa Exército britânico por morte brutal de iraquiano

Baha Mousa foi morto em 2003 após ser asfixiado por militares e sofrer mais de 93 ferimentos

BBC Brasil, BBC

08 Setembro 2011 | 09h12

Um inquérito independente pedido pelo governo da Grã-Bretanha sobre a morte de um iraquiano sob custódia do Exército britânico em 2003 concluiu que houve "uma grave falha de disciplina" e responsabilizou soldados do país pelo "chocante episódio de violência grave e gratuita".

O relatório divulgado nesta quinta-feira pelo jurista William Gage - que liderou a investigação independente - conclui que houve "falha corporativa" por parte do Ministério da Defesa, que fracassou ao não supervisionar os métodos de interrogação usados por militares britânico no Iraque.

"Um incidente não deveria ter acontecido e nunca deve acontecer novamente", diz Gage, no relatório de 1,4 mil páginas.

O Ministério da Defesa disse que vai levar em consideração as conclusões do relatório para mudar as suas políticas.

'Coral da dor'

No dia 14 de setembro de 2003, o recepcionista de hotel Baha Mousa, de 26 anos, e outros nove iraquianos foram presos no hotel Haitham, em Basra, por soldados do 1º Batalhão do Regimento de Lancashire da Rainha.

Os detentos foram submetidos a técnicas de interrogação que são proibidas pelo Exército britânico - como obrigá-los a ficar muito tempo na mesma posição, um método conhecido como "posição de estresse". Eles também não tiveram acesso a água e comida e foram mantidos encapuzados em ambientes quentes.

Baha Mousa, que era pai de duas crianças, morreu dois dias depois de ser preso.

A investigação independente, conduzida pelo jurista britânico William Gage, concluiu que a morte de Baha Mousa foi provocada pela combinação do seu estado físico deteriorado com a agressão sofrida por guardas e soldados.

Baha Mousa foi morto por um "grande número" de soldados, segundo Gage. Até agora, apenas o militar Donald Payne foi condenado em corte marcial pela morte do iraquiano. Ele foi dispensado do Exército em 2007 e cumpriu pena de um ano de prisão.

A causa oficial da morte foi asfixia, mas a autópsia revelou que seu corpo tinha 93 ferimentos diferentes.

Gage afirma que o comportamento de Payne - chamado de um "violento bully" - encorajou soldados mais jovens a repetirem as agressões aos detidos. Uma das técnicas de Payne era simular um "coral de dor" com os detidos, usando violência para fazê-los berrar de forma sincronizada.

 

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