Inquérito deve confirmar culpa de marines em massacre de Haditha

Um inquérito militar preliminar encontrou evidências de que as mortes de 20 civis iraquianos após a incursão de um grupo de marines americanos na localidade iraquiana de Haditha, em novembro do ano passado, foram injustificadas, informou um funcionário do governo americano nesta quarta-feira.Segundo a fonte anônima, citada pela agência de notícias Reuters, as análises forenses mostraram marcas de balas nos cadáveres, o que contradiz os relatos iniciais de que os iraquianos teriam morrido após a explosão de uma bomba em uma estrada. De acordo com o relatório inicial do Exército americano, o incidente teria ocorrido após uma emboscada contra uma patrulha americana, com um subseqüente atentado em uma estrada. Ainda segundo o relato, a explosão teria matado 15 civis, oito insurgentes e um marine. A afirmação, no entanto, foi contestada por residentes locais. Segundo um funcionário americano que não quis se identificar, "as provas forenses contam uma história diferente da apresentada pelos marines". Segundo ele, os corpos possuíam ferimentos que não poderiam ser causados por um dispositivo explosivo improvisado. Assim que a investigação militar estiver completa, provavelmente em junho, um comandante do alto escalão da Marinha deverá decidir se irá apresentar acusações de assassinato ou outras violações sob o Código Uniforme da Justiça Militar contra os marines envolvidos. Mas, segundo uma reportagem da rede pública de TV inglesa BBC, já é quase certo que os marines sejam acusados formalmente pelos assassinatos.Com a confirmação dos assassinatos injustificados, o episódio pode se tornar o caso mais grave de conduta imprópria de soldados americanos durante os três anos de combate no Iraque.Até agora, o episódio mais conhecido era o abuso de prisioneiros em Abu Ghraib. O caso veio à tona em 2004 e foi considerado pelo presidente Bush como o pior erro que os EUA cometeram no Iraque.Preocupação O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quarta-feira estar "preocupado" com as denúncias sobre os assassinatos em Haditha.Em declarações à imprensa após sua reunião com o presidente de Ruanda, Paul Kagame, Bush afirmou que, "se houve algum tipo de violação das leis, os culpados serão punidos".Bush disse ter abordado o assunto com o chefe de Estado-Maior dos EUA, o general Peter Pace. "Ninguém está mais preocupado com estas denúncias que o corpo de marines. Se as leis foram realmente violadas, haverá um castigo" para os culpados, insistiu o presidente.No domingo passado, o congressista democrata John Murtha, um dos principais críticos da guerra do Iraque no Capitólio, criticou os incidentes em Haditha, que qualificou diretamente de assassinato.Segundo Murtha, que assegurou que "não resta dúvida" que os militares tentaram encobrir os fatos, as mortes em Haditha prejudicaram mais os objetivos de paz e democracia que os EUA tentam alcançar no Iraque que as torturas na prisão de Abu Ghraib.Na última segunda-feira, Pace afirmou em entrevista à rede de televisão americana CNN que o comando militar em Washington só soube do incidente em 10 de fevereiro, quase três meses depois de ocorrer.

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