Inquérito sugere regulação da imprensa britânica

Investigação sobre escândalo envolvendo grampos de jornais a celebridades recomenda controle 'independente'

ALAN COWELL , SARAH LYALL , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h53

O responsável pelo amplo inquérito sobre os critérios dos jornais britânicos aberto em resposta ao escândalo dos grampos telefônicos fez uma crítica severa à imprensa como um todo, dizendo ontem que os meios de comunicação demonstram "significativo e imprudente menosprezo pela exatidão das informações veiculadas". O documento sugere que os jornais formem um órgão regulador independente, a ser constituído por lei.

No relatório final do inquérito, o extinto tabloide The News of the World, de Rupert Murdoch, é alvo de críticas particularmente duras. "Um número muito grande de reportagens publicadas por um número exagerado de jornais recebeu queixas de uma quantidade excessiva de pessoas sem que as redações assumissem sua responsabilidade ou considerassem as consequências para os indivíduos envolvidos", diz o juiz da Corte de Apelações britânica, Brian Leveson. "Agora cabe (aos políticos) decidir quem guarda os guardiães."

A publicação do relatório ocorre depois de terem sido recolhidos os depoimentos de 337 pessoas, durante 9 meses de audiências, nas quais se tentou deslindar os laços íntimos que marcam a relação entre políticos, imprensa e polícia na Grã-Bretanha. A conclusão aponta para uma rede opaca de conexões cruzadas no interior da elite britânica e expondo uma série de práticas duvidosas - e por vezes ilegais - adotadas pelos jornais do país.

"Esse inquérito foi o exame mais concentrado a que já se submeteu a imprensa britânica", disse Leveson depois da publicação do relatório.

Mas, numa reação inicial, o primeiro-ministro David Cameron opôs-se à recomendação de que o Parlamento estabeleça em lei uma nova forma de regulação da imprensa. Cameron disse aos demais parlamentares que eles deveriam "tomar cuidado" para não "atravessar o Rubicão", aprovando uma legislação com o potencial de restringir a liberdade de expressão.

A fala de Cameron foi imediatamente criticada pelo líder da oposição trabalhista, Ed Miliband. Ele disse que as propostas de Leveson deveriam ser aceitas em sua integralidade.

A abertura do inquérito foi determinada pelo próprio Cameron, em julho de 2011, quando o escândalo dos grampos telefônicos envolvendo o News of the World se agravou. A sociedade britânica foi tomada por um sentimento de repulsa com a descoberta de que o jornal determinara o grampo das mensagens gravadas na caixa postal do celular de Milly Dowler, uma adolescente sequestrada e morta em 2002. Leveson diz ter havido uma "falha de administração" no jornal de 168 anos que Murdoch fechou em julho de 2011, em razão do que chamou de "generalizada falta de respeito pela privacidade e dignidade das pessoas". / TRADUÇÃO DE ALEXANDRE HUBNER

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