Inquietação toma conta de Montecristi

Moradores da cidade trabalham até a última hora para deixar local pronto para abrigar sede da Constituinte

Chema Ortiz, Efe, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2007 | 00h00

Montecristi, Equador - Uma atividade frenética reinava ontem em Montecristi, um pequeno povoado na província costeira equatoriana de Manabí, para deixar tudo pronto para o início da manhã de hoje, da instalação da Assembléia Constituinte que vai redigir a vigésima Carta Magna do país.Em Ciudad Alfaro, o complexo construído na ladeira do morro de Montecristi que será sede da Assembléia, dezenas de operários ainda trabalhavam para dar os últimos retoques no edifício central que acolherá o plenário, as instalações e outras obras anexas.Misturados aos operários e técnicos, constituintes, assessores, policiais e jornalistas, dos quais havia cerca de 1 mil credenciados, procuravam colher informações e saber qual o lugar que ocupariam na sessão de instalação da Assembléia.Os constituintes que percorrem Ciudad Alfaro e Montecristi eram todos da Aliança País, o partido do governo que obteve 80 das 130 cadeiras da Constituinte, com o que terá uma cômoda maioria absoluta, enquanto os 50 restantes, de cerca de 15 partidos, primam pela ausência.No ato de hoje, ao qual comparecerá todo o governo do Equador, com o chefe de Estado, Rafael Correa, à frente, será eleita a mesa diretora da Assembléia, que, com toda probabilidade, será presidida por Alberto Acosta, o constituinte mais votado e cabeça da lista nacional do Aliança País.Enquanto isso, abaixo do complexo da Ciudad Alfaro, em Montecristi, as ruas do centro também ferviam de atividade com as obras de última hora nas calçadas e pessoas de fora circulando entre os habitantes de um povoado que durante décadas permaneceu quase adormecido. Na praça, entre a igreja e a prefeitura, ao meio-dia, sob um calor de 34°C e um sol escaldante, o Movimento de Mulheres Equatorianas, que apóia a Constituinte, organizou uma "limpeza" - ritual indígena para purificar os constituintes que deverão dar uma nova institucionalidade ao Equador.Um xamã da comunidade amazônica tagaeri e uma mulher indígena, armados com defumadores, purificavam os constituintes da Aliança País que se aproximavam da praça, enquanto as dirigentes do Movimento das Mulheres os convocavam, com megafones, a defender seus direitos, em especial os sexuais e reprodutivos.Entre Forças Armadas, Polícia, Defesa Civil e Cruz Vermelha, previa-se um total de mil efetivos só em Montecristi e Ciudad Alfaro para garantir a segurança e atender a alguma eventualidade. Dos chefes de Estado estrangeiros convidados, só confirmou presença o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, embora a organização não descarte a presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez.PROPOSTAS DO GOVERNOParlamento: Dividir o atual Congresso unicameral de cem membros em duas Câmaras, que não teriam poder de nomear organismos de controleDissolução: Se Congresso destituir o presidente, Carta deve garantir dissolução automática do órgão e convocação de eleições gerais Propriedade: Ampliar o conceito de direito de propriedadeEconomia: Substituir o conceito de economia de mercado por economia solidária

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