Inspeções da ONU já foram concluídas, diz ministro iraquiano

Os inspetores da ONU concluíram seu trabalho de verificação de armas de destruição em massa quando deixaram o Iraque, quatro anos atrás, disse hoje o chanceler iraquiano, Naji Sabri. "Estamos preparando uma resposta para sua excelência o secretário-geral da ONU (Kofi Annan)", complementou, aludindo à carta que Annan lhe enviou pedindo esclarecimentos sobre o convite iraquiano para conversações técnicas em Bagdá com o chefe dos inspetores, Hans Blix. O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf, também questionou a exigência da ONU da volta dos inspetores - expulsos de Bagdá em 1998. "Eles (o Conselho de Segurança da ONU e os EUA) dizem que o trabalho não foi concluído. Eles alegam que há mais armas. Esse tipo de conversa pode obter resposta, provas. Há métodos e meios que permitem a verificação fácil, e eles sabem disso", declarou Al-Sahaf à emissora de TV por satélite Al-Jazira. "Isso é uma mentira. Isso é uma posição americana", repetiu. "As inspeções no Iraque terminaram." Não ficou claro, porém, se as afirmações de Al-Sahaf e de Sabri significam a rejeição definitiva da resolução da ONU que determina a realização das inspeções do arsenal de armas como uma das condições para o levantamento das sanções impostas ao país durante a Guerra do Golfo, em 1991. Diante da crescente especulação sobre um ataque americano ainda este ano, o Iraque tem emitido sinais contraditórios. EUA e Grã-Bretanha acusam o governo iraquiano de fazer propostas contemporizadoras, como o convite a Blix, na tentativa de evitar a intervenção militar. O Departamento de Estado americano reagiu com indiferença às declarações dos ministros iraquianos, insistindo que elas mostram a persistente má vontade de Bagdá para cumprir as exigências da ONU. O parlamentar britânico George Galloway disse no domingo ao semanário The Mail on Sunday que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, com quem se encontrou há dias num esconderijo perto de Bagdá, lhe disse que o país "aceita e iria pôr em prática todas as resoluções da ONU". Segundo Galloway - da ala esquerda do Partido Trabalhista - Saddam se mostrou desconcertado pelo fato de a Grã-Bretanha ter-se voltado contra o Iraque mais que qualquer outro país europeu. Pesquisa de opinião publicada hoje pelo diário britânico Daily Telegraph revelou que 58% da população da Grã-Bretanha não considera justificável um ataque ao Iraque e apenas 19% acham que o país deveria unir-se aos EUA. Comentando as sondagens, o ex-ministro Peter Mandelson, um dos principais assessores do primeiro-ministro Tony Blair, afirmou que a "opinião pública na Europa não está preparada para uma ação militar contra o Iraque por causa das mensagens conflitivas de Washington e da posição de esquerdistas e generais acomodados", que se opõem à participação do país num ataque porque "enfocam os riscos em vez das conseqüências de nada fazer".

Agencia Estado,

12 Agosto 2002 | 19h59

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