Inspetor da AIEA para o Irã agora cuidará do Brasil

O belga Chris Charlier vai ocupar a partir de 1º de abril a seção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) responsável pelas atividades nucleares de Brasil e Argentina, familiarizado com as operações da agência, disse um importante diplomata na terça-feira.O veterano funcionário supervisionava as inspeções nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU) no Irã e foi removido do seu cargo, nove meses depois de ser proibido de entrar no país, disse um importante diplomata na terça-feira, segundo o diplomata O Irã, que desde dezembro sofre sanções da ONU por insistir em manter suas atividades de enriquecimento de urânio, escreveu em janeiro à AIEA pedindo o afastamento de Charlier. O diplomata que falou à Reuters afirmou que o diretor da AIEA, Mohamed El Baradei, transferiu Charlier não para agradar ao Irã, cuja exigência os EUA consideraram "ultrajante", mas porque o veto iraniano lhe impedia de fazer seu trabalho. O Irã acusava Charlier de transferir dados sigilosos para potências ocidentais segundo as quais Teerã desenvolve armas nucleares - o que o regime islâmico nega. A AIEA não levou essas acusações em conta, segundo o diplomata. "Mas não havia solução mágica. O Irã não vai dar visto a Charlier. Incapaz de ir ao Irã, ele não poderia realizar seu trabalho de forma eficaz. Charlier foi informado da decisão na semana passada", afirmou. O inspetor, com 25 anos de experiência na AIEA, será substituído no posto por um colega com nível e experiência similares, que já trabalhou no Iraque de Saddam Hussein. "É claro que o Irã não pode dizer à AIEA quem destacar para o Irã. Mas eles têm o direito soberano de rejeitar um inspetor de quem não gostem. A AIEA não pode entrar atirando no Irã nem jogar as pessoas lá dentro de pára-quedas", afirmou o diplomata. "Sei que alguns Estados membros (da AIEA) dirão que a agência cedeu à pressão iraniana. Mas a AIEA tem outras pessoas muito qualificadas para fazer o trabalho." No mês passado o Irã também baniu 38 inspetores - todos de países ocidentais que apóiam as sanções da ONU - entre os 200 que deveriam trabalhar em tempo integral ou parcial na República Islâmica. O jornal Financial Times diz na terça-feira que um documento interno da União Européia conclui que em algum momento o Irã terá material suficiente para desenvolver bombas atômicas. "Tentativas de atrair o governo iraniano para um processo de negociação até agora não funcionaram", disse o texto, preparado por assessores do chefe da política externa da UE, Javier Solana. O governo iraniano declarou Charlier persona non grata depois de o belga afirmar a um jornal alemão que o Irã provavelmente ocultava algumas atividades da AIEA. Ele também se queixou, num documentário da BBC, da suposta vigilância de câmeras sobre os inspetores. Alguns diplomatas disseram que os comentários desagradaram à liderança da AIEA, já que a regra geral entre os inspetores é evitar a imprensa. Mas, depois das entrevistas, a agência dizia que Charlier permaneceria no comando da seção que cuida do Irã.

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